Temos presenciado há muito tempo, em festas de casamentos e de formaturas, um “massacre” aos ouvidos, verdadeiro teste de resistência ao som propagado. Seja o som mecânico ou ao vivo, parece testar a capacidade dos convidados em suportar tal volume, impedindo alguma conversa, a não ser aos gritos. Tal volume chega às raias do insuportável, pois é impossível tabular algum assunto. Como é previsto nas leis, há limitação da quantidade de pessoas, nos ambientes conforme o tamanho do local; ter uma brigada de bombeiros civis e até, em alguns casos, ambulância, mas entretanto, não se observa o limite sonoro (decibéis), preconizado na legislação, a qual deve ser fiscalizada igualmente, pois jamais seria permitido tamanho volume, principalmente em ambiente fechado. A gritaria no microfone é constante, parecendo que o equipamento não supre o volume, chegando até à distorção (borrar), tornando inaudível, impossibilitando também a identificação dos instrumentos, aos quais não há alguma equalização. Em ambientes fechados, a reverberação, quando não há tratamento acústico, o som é demasiadamente prejudicado; daí portanto, a necessidade da modulação e equalização, para propiciar uma audição confortável. Portanto, promotores de eventos, juntamente com responsáveis pela sonorização, devem tratar estas situações com maior rigor, racionalidade, de tal forma, a oferecer aos convidados a confraternização, o conforto, e não momentos estressantes. Tanto é que, invariavelmente, ocorre precocemente a debandada de convidados, que “aguentam” até o instante importante do evento, para em seguida irem embora. Está se criando geração de surdos, que futuramente terão sérios problemas. Enquanto jovens, o corpo aceita tudo, porém, a fatura vem com juros e correção. Daí será tarde demais e irreversível. Não obstante a isso, há também o barulho nas vias públicas, provocado pelas motos e sons dos veículos. Insuportáveis. Inexiste fiscalização. Parece uma “Gothan City”, qualquer um faz o que quer. Nenhum cidadão é obrigado a tolerar situações provocadas por outros, os quais se acham “donos do pedaço” e que podem fazer o que quiserem a qualquer hora do dia e da noite. Há de se destacar também o barulho em locais públicos, que passa dos limites e do tolerável. A prefeitura libera alvará para eventos, sem observar o impacto na vizinhança, incomodando os moradores, que são obrigados a suportar gritarias, sons altíssimos, algazarras, etc., em dias e horários absolutamente impróprios, principalmente em ocasiões de descanso. Há lei para tudo. Estão ai para serem cumpridas. Simples assim.

Antonio Marcos Dametto – engenheiro civil (Londrina)

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