OPINIÃO DA FOLHA-Pretexto para elevar preços
Quando ocorre alta do dólar a tendência do comércio é, imediatamente, elevar preços, e nessa corrente também entram produtos que nada têm a ver com aquela moeda. E assim mesmo, produtos importados têm sofrido aumento acima do quanto a alta do dólar incide sobre eles. A majoração passa a ser aleatória, fora de critérios. Ademais, quando ocorre a baixa do câmbio os preços majorados não são rebaixados. Há mercadorias cujos componentes importados representam um pequeno porcentual, mas o que se verifica é que o aumento é tabelado pelo preço cheio. Quem percorrer o comércio poderá observar que pequenos itens importados simplesmente dobraram de preço, mas a alta do dólar foi apenas porcentual e não duplicada.
O resultado é que o comprador se retrai e o comércio passa a acumular estoques, indicativo certo de prejuízo, porque ou o comerciante entra em situação de risco para o seu negócio, ou tem de, mais adiante, promover liquidações, muito piores do que políticas inteligentes de vender com menos margem de lucro mas vender sempre. Ainda predominam no comércio sistemas antigos de especular em certas situações, a pretexto de compensar perdas em outros setores, e um deles é ganhar no alto porcentual de lucro, sobre cada mercadoria. Porém o ideal é diminuir esse índice e aumentar o volume das vendas, porque aí todos ganham, eis que o consumo aumenta e favorece o comprador e o vendedor e por extensão engorda a receita do Estado. Opera-se aí uma benéfica reação em cadeia.
A prática tem demonstrado que comerciantes de maior êxito são os que adotam a dinâmica de vender barato e vender continuamente e com juros baixos no crediário. Esse regime é predominante nos países desenvolvidos onde o consumismo é quase duas vezes maior que o do Brasil e aos poucos vai se incorporando, em nosso país, entre os empresários mais jovens e que têm mais oportunidade de estudar as leis do mercado e de viajar para conhecer outros sistemas.
Verdade que no Brasil a política de juros altos contribui para essas práticas viciosas do comércio, porque as grandes lojas preferem operar seu crediário através de financeiras, repassando para o cliente o ônus dos juros. Porém essa política resulta numa ciranda que, já se provou, amedronta o consumidor e o intimida nas compras, e então o que se vê são lojas vazias ou fechando as portas, gerando mais desemprego e recessão. O comércio é a extensão da indústria e se este gargalo se comprime, todo o sistema entra em engarrafamento.





