Oportunismos de ano eleitoral

Se todos os anos fossem eleitorais, os políticos e ocupantes de cargos legislativos seriam mais operantes e atenderiam melhor o povo, entenda-se aí o eleitorado. Agora mesmo os vereadores de vários municípios do Paraná estão propondo a redução das próprias férias, de 75 para 45 dias. Seguem exemplo do pequeno município paulista de Santana de Parnaíba, que adotou a redução pela unanimidade dos seus quinze vereadores. A Câmara Municipal de Cornélio Procópio foi a primeira a mobilizar-se, logo seguida por Guaratuba, Pérola D'Oeste, Salto do Itararé, Umuarama e agora Londrina. Os ventos que começam a soprar desses municípios alcançaram também a Câmara de Curitiba, onde o descanso anual remunerado dos seus 35 vereadores é de noventa dias e eles já estão achando que é demais, propondo a diminuição para 45.

Tudo indica que essa reforma seja aprovada, e se acontecer com as cidades citadas aí incluídas as duas de maior expressão, que são a Capital e Londrina as demais seguirão o exemplo. Ainda assim os parlamentos municipais manterão privilégio quanto as férias, pois enquanto o trabalhador comum desfruta de um mês, eles terão 15 dias a mais. E tudo regiamente pago, não bastasse o pouco que já fazem no período da atividade regimentar. Essa é uma legislação trabalhista bem específica, criada pelos próprios beneficiados. A onda reducionista também está chegando à Assembléia Legislativa do Paraná, depois que os colegas do Rio de Janeiro, pioneiros nessa providência moralizadora, diminuiram seu recesso de 90 para 60 dias. Aqui em terras paranaenses os deputados desfrutam, igualmente, de três meses do ''dolce far niente'', se não bastassem as ausências.

No caso dos deputados estaduais do Paraná uma lembrança que incumbe não deixar passar os salários mensais são de marajás e quebram os princípios da moral pública: uma cota de R$ 9,5 mil, mais R$ 20 mil para despesas de gabinete e outros R$ 30 mil para contratação de assessores. A redução do recesso ainda não é nada e, se aprovada não terá sido por consciência cívica dos representantes do povo e sim pelo oportunismo do período pré-eleitoral, quando os parlamantares buscam por todas as formas reeleger-se, porque o poder e as atraentes mordomias fascinam. O próximo evento poderá ser a redução do número de cadeiras nas casas legislativas, começando pelas Câmaras Municipais, mas tal não ocorrerá por eventual cultura cívica dos ''nobres pares'' e sim se haverá de ser pela pressão popular, ainda um tanto adormecida mas capaz de acordar repentinamente e com fúria avassaladora.

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