OPINIÃO DA FOLHA
O poder das cooperativas
O agrônomo e ex-presidente do Incra Xico Graziano faz a exaltação das cooperativas paranaenses em artigo no jornal ''O Estado de S.Paulo'', e ontem a Folha publica nota informando que a Coamo Agroindustrial Cooperativa, de Campo Mourão, está distribuindo R$ 73 milhões de lucros entre seus associados. São informes que entusiasmam a reafirmar a pujança do agronegócio no Paraná, que a cada ano mais se expande. No âmbito microrregional é uma fabulosa injeção de dinheiro e já se anuncia que os agricultores beneficiados o estão reaplicando no próprio negócio.
O agrônomo José Galassini, fundador e presidente da Coamo que é a maior cooperativa do gênero na América Latina rememora que na década de 70 aquela região era conhecida como ''produtora dos três S'', ou seja, as plantas invasoras sapé e samambaia, e a saúva, e que agora, com a implantação de tecnologias e das culturas de soja e trigo, aquelas pragas deram lugar à produção de grãos em grande escala. É o fenômeno transformador alicerçado na confiança, na organização e no trabalho, associados à técnica, e o resultado é este que se está vendo.
Graziano, em seu comentário, diz que quem imagina haver oposição entre agricultores familiares e grandes produtores precisa visitar o Paraná e conhecer o trabalho do cooperativismo. Comenta que ganhos extraordinários de produtividade se verificam e que os produtores familiares 88% deles vinculados ao sistema apresentam rendimentos iguais e até superiores aos grandes, isso graças ao vigoroso alicerce das cooperativas, que promovem uma verdadeira revolução tecnológica e gerencial. Não faltam críticas do ex-presidente do Incra aos ''chamados sem-terra''.
Sabem todos os que estão envolvidos com a atividade rural que, apesar dos muitos entraves ainda existentes na esfera governamental, o homem da roça vai ganhando emancipação e vive mais civilizadamente que o trabalhador urbano. Os olhos da cidade já se voltam com mais respeito para o produtor rural, apagando a antiga imagem do matuto afundado em suas mazelas e distante da civilização. Não fosse apenas pelas suas naturais conquistas, é ele afinal o responsável pelo alimento que chega à mesa dos brasileiros, pela geração de muitos empregos diretos e indiretos e pelo robustecimento da balança comercial, com o incremento das exportações do produto oriundo do campo.





