OPINIÃO DA FOLHA
Conclamação à consciência
Agora que já está configurado o quadro de pretendentes a disputar a Prefeitura de Londrina porque não há indicativo de que apareça no cenário algum nome novo de impacto o momento é de conclamação à consciência dos partidos e do eleitorado para, no mínimo, escolher o que apresente o mais limpo e substancial desempenho na vida pública. Certo é que já não há lugar para experimentos, numa cidade que já foi mais respeitada politicamente e, pela voz e ação de suas lideranças, teve mais expressiva representatividade.
Há muitos modelos de bons e de maus administradores públicos, havendo aquele que ''rouba mas faz'' para usar célebre jargão popular que teve origem na administração de Ademar de Barros, em São Paulo e o que faz e não rouba, o que rouba e não faz e o que nem rouba e nem faz. À exceção do que faz e não rouba, todos os demais se equivalem, porque prejudicam a comunidade a que, ao contrário, deveriam beneficiar.
A ''neutralidade'' dos inoperantes honestos que sejam também causa prejuízo, pela perda de tempo valioso à testa da administração, quando outros mais habilitados poderiam estar em seu lugar. O significado de roubar o povo tem múltiplas facetas, e esta é uma delas. A história pioneira de Londrina foi marcada por lances de ousadia, e a atual veio seguindo o mesmo ritmo, ou a cidade não teria chegado aonde chegou em apenas setenta anos. Muito trabalho feito em tão pouco tempo.
Esta é uma cidade rebelde, já dizia o prefeito Hugo Cabral. Se sabe ser acolhedora e generosa, até por hábito de haver recebido tanta gente, oriunda de todos os rincões do Brasil e de muitos outros países, também se alevanta e se arregimenta contra os insolentes, quando preciso. Ano de decisão política como é este de 2004, é também um tempo propício para reflexão, porque não cabe a mais ninguém senão ao povo decidir que prefeito quer para a sua cidade. Melhor do que lamentar-se depois, é tomar a sábia medida preventiva da boa escolha pelo voto.
Embora não dependente direta dos poderes públicos, certo é que a quebra de consonância entre eles e a comunidade produtiva da área privada, e por extensão a população em geral resulta no descompasso do desenvolvimento. Portanto, a sociedade não pode sofrer traumas e paralisações por conta de administrações públicas, mas, ao contrário, navegar favorecida também pela corrente de seus bons ventos. Faltam três meses para as convenções partidárias e seis meses para a escolha de prefeito e vereadores. Há que começar a selecionar indicações e segregar impurezas.





