OPINIÃO DA FOLHA
Um caminho de solução
Com a decisão do governo federal de criar um porto seco em Ponta Grossa e embarcar a soja transgênica paranaense nos portos de São Francisco (SC) e Rio Grande (RS), encontrou-se afinal uma saída inteligente para o impasse com relação a esse produto no Paraná. Sem entrar no mérito da aprovação ou não da transgenia porque a ciência oficial ainda não deu sua palavra essa soja não poderia ficar parada. A decisão foi do presidente da República para não entrar em conflito com o governo do Paraná, que não quer sobrecarga burocrática e atrasos no porto de Paranaguá motivados pela presença dessa mercadoria diferenciada. Já o decreto de Requião que não pode ser ratificado pelo governo federal declarando o Paraná área livre de transgênicos, esbarra, além do mais, no fato de que há 17 áreas com plantio de soja transgênica no Estado e com tendência de aumento.
A Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) em Ponta Grossa tem estrutura e está habilitada a receber e segregar a soja transgênica, e dessa forma evita congestionamento no porto paranaense. Sua atuação não será de apreensão mas de separação do produto, para que seja encaminhado àqueles dois portos, ou outros mais, fora do Estado. O complexo de Ponta Grossa pode armazenar 420 mil toneladas de grãos, podendo girar esse volume 10 vezes ao ano, o que corresponde a 30% da capacidade do porto de Paranaguá. A localização desses pontos de armazenagem, ademais, é privilegiada, por estar à margem da rodovia-tronco de norte a sul e próxima da ligação rodoviária com a região oeste. Além disso tem à disposição um terminal ferroviário com condições de fazer o transbordo de cargas.
Por outro lado, em visita ao porto de Paranaguá na última terça-feira, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Furlan, manifestou-se preocupado com o fluxo da exportação de soja convencional no terminal paranaense, afirmando que será necessário ampliar a sua eficiência logística e que o governo federal pode contribuir para isso. Percebe-se que, mesmo com o porto seco de Ponta Grossa, o porto de Paranaguá necessita de ampliações para evitar filas de espera no embarque de quaisquer cargas nos navios. Embora esse terminal veio sendo, ao longo dos anos, ampliado e modernizado, o aumento da produção de grãos no Paraná e a intensificação das exportações passaram a sufocar sua estrutura. Esse é um dos preços do desenvolvimento e alenta saber que o governo já está atento ao problema.





