O problema de estacionar

Se o problema do tráfego de veículos em Londrina já começa a se agravar e é intenso e nervoso nos horários de pico o de estacionar é muito sério e tem várias implicações. Reportagem de hoje deste jornal trata da questão e demonstra que na área central o estacionamento é problemático. Com 170 mil veículos automotores registrados, calcula-se que de 70 mil a 100 mil deles estejam em circulação, no horário de expediente dos dias comuns, e as ruas continuam com as mesmas dimensões, sem o acréscimo de vias novas como as elevadas ou subterrâneas.
Cidade calculada pelos colonizadores para chegar ao máximo de 30 mil habitantes, e numa época em que o automóvel era um meio de transporte raro, Londrina explodiu em crescimento. Hoje com 467 mil moradores pela estatística de 2003 e com o uso cada vez mais intenso do veículo motorizado, não foi possível ao poder público acompanhar as soluções no mesmo ritmo, até por falta de disponibilidade financeira. Já se prevê que dentro de 2 a 3 anos o número de veículos suba para 200 mil, e naturalmente há que se começar a pensar em fórmulas de atender a essa demanda, tanto para a circulação como para o estacionamento.
A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização aponta para a recorrência ao transporte coletivo, que é a mais sábia solução, mas para isso será preciso que esse serviço vá sendo ampliado, com ônibus suficientes, mecanismos que possibitem alguma melhoria de fluxo, pontos de parada mais funcionais e vigilância sobre o custo de passagem, de forma a que o serviço se sustente economicamente e não perca a qualidade, e o usuário não seja esfolado. Ademais, será preciso ir conscientizando os proprietários de veículo para que optem por esse sistema.
Mas isso não invalida que o poder público e a comunidade estudem e discutam meios de amenizar a situação. No caso do estacionamento, há que pensar na possibilidade de, onde possível, permiti-lo em ambos os lados da rua, ou em diagonal, estimular a abertura de estacionamentos particulares, porém regulamentá-los, mediante tabelas de preço estabelecidas pelo poder público, para que não haja abusos. A solução dos edifícios-garagem, pela iniciativa privada, não é descartável, embora o alto custo desse empreendimento, assim como o estacionamento subterrâneo, debaixo de praças uma idéia que, no passado, já se discutiu, em Londrina.
Mas é ainda o caminho do transporte coletivo o recomendável, embora mais ruidoso e incômodo, e no futuro o metrô. Por outro lado, deveria ser uma obrigatoriedade que cada nova construção mesmo a de um pavimento nas zonas de maior incidência de tráfego e estacionamento, tenha garagem subterrânea, e assim se resolve ao menos o problema dos que habitam ou trabalham nesse edifício. Grandes problemas exigem soluções compatíveis e não há que pensar em coisas impossíveis. Londrina, embora cidade grande, ainda não tem problemas crônicos nessa área mas é preciso ir tomando medidas preventivas enquanto existem condições. Há que pensar não só no presente, mas no futuro. Problemas de hoje são resultantes de soluções negligenciadas no passado.

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