OPINIÃO DA FOLHA
Melhorias no ensino
Depois de muito tempo sob o regime de adotar livros novos a cada ano escolar, o bom-senso voltou a vigorar, nesse sentido, e agora os mesmos livros de estudo distribuídos pelo MEC podem ser reaproveitados pelos alunos que vão chegando, nas escolas públicas. E uma boa informação adicional é que as escolas do Paraná estão acima da média nacional nessa reutilização, pois de cada 100 estabelecimentos 96 a adotam. A Secretaria Estadual de Educação informa que o reaproveitamento não é maior porque ainda há evasão de material de ensino, pois muitos livros são levados para casa pelos concluintes de séries e não retornam à escola. A Secretaria passou a incentivar as escolas a desenvolverem um maior controle sobre esse material, para que a reutilização se amplie.
As mudanças de velhos sistemas, que demoram neste país, vão ocorrendo aos poucos, e alenta saber que na esfera oficial fato não muito comum existem pessoas sensíveis que conseguem introduzir inovações para facilitação das condições de ensino e para economia de material, numa nação pobre e que não pode se dar o luxo do desperdício. Estes são alguns acenos, e muita coisa há ainda a mudar, notadamente no campo da pedagogia, para definir doutrinas que devem ser introduzidas e a modificação das que já não servem. Muitos velhos pedagogos da esfera do MEC, que ditam as normas, perderam-se no tempo e estão fora da realidade e, por isso, a escola pública ainda conserva certos ranços.
Há que repensar não propriamente o que ainda se ensina, mas sobretudo o que se está deixando de ensinar, no sentido de preparar o aluno, futuro cidadão, não para os embates da vida como se costuma dizer mas para caminhos mais solidários de se viver e assim afastar ideais de competição. O estudante fica tempo demais sentado no banco escolar, e pelo regime de iniciar as aulas muito cedo vai à escola com sono e pouco aproveita, passando a não gostar de frequentá-la. Quando os alunos são crianças, também os pais precisam levantar-se antes do horário, com sacrifício do próprio descanso, para preparar os filhos e levá-los à escola. Também não há necessidade de cansativas matérias, que pouco acrescentam, em prejuízo de outras mais úteis que deixam de ser ministradas.
Falamos do ensino básico, ministrado à legião infantil, aos adolescentes e aos jovens em geral, que não precisariam mais do que duas horas diárias de aula, que é o mesmo tempo que se gasta para assistir a um espetáculo artístico, a uma palestra, a um filme, a um jogo de futebol. Não há necessidade de lhes impor sacrifício exagerado, porque o que eles estão estudando ainda não é o aprendizado de uma profissão, e ademais há questões de saúde a considerar. Por mais que seja importante estudar e manter disciplina, o estudo deve resultar em absorção do que é ensinado, com despertamento do interesse do aluno e o seu envolvimento no processo, e não imposição de disciplinas às vezes dispensáveis e de normas rígidas demais.





