OPINIÃO DA FOLHA
Farra e falta de decoro
Se a vida parlamentar na Assembléia Legislativa já é uma farra de esbanjamento de dinheiro público e com baixo retorno positivo, deputados ainda se esmeram em demonstrar que não estão preocupados com isso e nem com a opinião pública. Veja-se o caso do deputado estadual que teve o automóvel oficial apreendido pela Polícia Rodoviária porque deve multas de R$ 17 mil. O veículo ainda está retido, e agora o parlamentar, depois que o fato se tornou público e ele ''nem um pouco constrangido'', como diz informe deste jornal promete que irá buscá-lo, depois de quatro meses. Entre tantos abusos, surpreende que veículo confiado a uma autoridade pública se envolva em infrações de trânsito que levem multas desse tamanho.
Os representantes do povo, que são 54 na Assembléia Legislativa paranaense, recebem a elevada cota de R$ 50 mil mensais cada, apenas para contratar assessores e pagar despesas de gabinete, viagens, alimentação, combustível, e veja-se que, mesmo com esse descalabro de gasto de dinheiro do povo, eles pecam pela falta de decoro, cometem irregularidades de trânsito e não pagam o ônus. Isso significa extrapolar o descaso e debochar dos cidadãos, que são tão duramente punidos com taxas e impostos e têm de andar em dia, ou sofrerão o rigor das sanções legais. Deputados não, eles navegam em mar de prosperidade, e se agora a frota oficial da Casa foi extinta, não se iluda o cidadão imaginando que as mordomias irão acabar, porque o que sai, retorna por outra via.
Ser parlamentar, hoje, é um dos bons negócios no Brasil, o que é para lamentar... no dizer de célebre humorista. Os ''simples e humildes'' vereadores também se incluem nesse círculo de prodigalidade, porque ser poder público implica em muitas benesses, algumas caídas do céu, qual maná. Não à-toa os candidatos fazem o possível e o impossível para chegar a esse poder, e se o alcançam não desejam largá-lo de forma alguma. Sempre será preciso dizer que há exceções quanto a desempenho e lisura, mas as mordomias fixas não se alteram para ninguém e todos a recebem de bom grado. A não ser o deputado Florivaldo Fier, o Dr. Rosinha, que devolve o dinheiro das sessões extraordinárias.
Se os gastos desmedidos desses homens públicos já causam a revolta da população, a indignação é ainda maior quando falta às autoridades o decoro, em outras palavras a vergonha. De tanto conviver com as acomodações e os conchavos no mínimo os de ordem puramente estratégica os políticos vão perdendo sensibilidade e referência e esquecem-se do dever da função e do seu compromisso com os cidadãos que eles representam.





