Primeiro o maquinista

O presidente da Federação dos Empregados no Comércio do Estado do Paraná,
Vicente Silva, declarou ontem neste jornal que ''é difícil aumentar o nível de emprego sem que a economia cresça''. Observa-se como é vesga a concepção acerca do que seja necessário para promover o crescimento da economia, porque imagina-se que isso aconteça por alguma fórmula mágica e não pelo caminho de, entre tantos, primeiro oferecer vagas de trabalho e assim criar consumidores. Um desempregado não compra e assim não aciona as fontes de produção, consumindo apenas o básico e mesmo assim na dependência de alguém. Dessa forma a dinâmica da economia não se move. Para que o consumo se opere, e assim o desenvolvimento, será necessária a presença do agente consumidor, e este é o cidadão com renda.
É um conceito fora de sentido declarar que a oferta de postos de trabalho não aumenta se a economia não cresce, eis que o contrário é que deve ocorrer, ou seja, a empresa realizar o sacrifício de não despedir trabalhadores e, ainda mais, promover alguma forma de adicionar alguns mais, justamente para fazer a economia crescer. Já temos dito neste espaço que a empresa, no Brasil, é tangida pela elevada carga tributária, aí compreendidos também os pesados encargos sociais sobre o salário, mais o sistema trabalhista punidor do empresário e desencorajador de admissões, portanto favorecedor do desemprego.
Mas enquanto essas mudanças não ocorrem a empresa não pode juntar-se a essa onda desestimuladora e paralisante, e sim, ao contrário, iniciar uma investida pela manutenção dos empregados existentes e fazer esforços extras contratando novos, cada uma na proporção de suas dimensões. Se a máquina pública, sugadora, gastadora e inoperante, não muda, primeiro há que a Nação levantar-se em protesto, junto aos políticos que representam o povo na esfera do poder e através de mobilização pública, e cada empresário adotar, em seu reduto, a postura patriótica e preservadora de empregos, sem temor de abrir novas vagas, porque este é um caminho de solução.
A economia não avança sem emprego, e esperar crescimento fora dessa via é como esperar que a roda d'água comece a girar para depois as comportas serem abertas. Certo é que, como também diz aquele dirigente, será preciso incentivar a microempresa e não apenas esta mas também a grande através de crédito fácil e barato, mas ainda assim o negócio não caminhará se não houver a garantia da compra e do consumo, o que é movido pelo dinheiro oriundo de cidadãos empregados. O segredo das nações ricas não é que empregam porque tenham chegado a essa condição, e sim que chegaram a essa condição porque cuidaram primeiro de manter empregos e, naturalmente, com boa remuneração.
Se temos defendido a classe empresarial como sustentadora da economia, apesar dos percalços e da presença nociva da burocracia governamental, da sua ganância arrecadadora e da legislação trabalhista inadequada, o empregador de qualquer natureza representa um minigoverno em sua esfera de ação, e está em suas mãos a salvação nacional. É na empresa que reside a fonte das soluções, porque governos e instituições burocráticas não produzem renda e não geram riqueza; apenas a consomem, e com muita voracidade. É, portanto, um conceito errôneo esperar pelo crescimento da economia para depois empregar, porque a locomotiva não se move se por trás dela não houver o maquinista.

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