OPINIÃO DA FOLHA
A opção teatro ou Wal-Mart
A polêmica sobre a opção teatro ou Wal-Mart está estribada em interesse econômico e também político-eleitoral. A questão já é de domínio público, porque a comunidade a discute, dividida entre construir o Teatro Municipal ou abrigar a rede de lojas Wal-Mart no terreno baldio onde se localizava o antigo Colégio Londrinense (e ao qual estava anexado o ginásio de esportes Colossinho), na Rua Quintino Bocaiúva. O peso das opiniões pende a favor da segunda opção, pelo vislumbre da chegada a Londrina dessa gigante rede mundial de varejo, conhecida por praticar preços baixos. E não apenas por isso mas porque um empreendimento desse porte ativará o giro da economia local e regional e abrirá frentes de trabalho. (Lembre-se que não há aí o caso de doação do terreno pelo poder público). Sabe-se que, instalando-se nessa área ou não, a Wal-Mart virá porque já pesquisou a região e a achou conveniente para o seu propósito.
O interesse econômico é evidente, porque se a multinacional Wal-Mart vem, vai abocanhar uma parte do bolo dos concorrentes, grandes e pequenos, o que pode ser prejudicial a eles apenas temporariamente, porque a população metropolitana e regional também cresce paralelamente e vai aumentando o contingente de consumidores. E enquanto a dinâmica dessa roda econômica-financeira propriamente dita não começa a girar, porque a Wal-Mar nem chegou ainda, já há dinheiro por conta rolando solto... Quanto ao interesse político, ele está muito visível, tratando-se de ano eleitoral, porque o atual prefeito deseja reeleger-se e a bandeira representada pela idéia do teatro é um reforço na captação de votos.
Desapropriar o terreno, como já fez o prefeito, não é mais um grama de tinta sobre papel, porque além de uma assinatura será preciso dinheiro, e muito, para adquirir aquele imóvel, estimado em R$ 3 a R$ 4 milhões, e este é um recurso que a municipalidade não dispõe no presente exercício. Não será neste ano de final de mandato, portanto, que essa verba irá sobrar, ademais porque há prioridades que precisam ser contempladas, na área social, destacadamente as favelas. Se a Prefeitura não dispõe, agora, de dinheiro para a desapropriação, significa que passará para o próximo prefeito o ônus, seja ele o atual ou outro. Se for o atual, ele terá que dar andamento ao projeto, e questiona-se se o fará, e caso deseje fazê-lo terá de consultar o bom-senso, porque há opções bem mais baratas e, ademais, a Prefeitura já dispõe de áreas, para usar ou permutar.
Tem fundamento a defesa de que o teatro também proporcionará não só rendimento cultural mas também financeiro, porém indaga-se se aquela rua movimentada e barulhenta se presta para uma casa de espetáculos. Há ainda que atentar que só o dispêndio com a compra do terreno bastaria para a construção do prédio do teatro. Embora as principais salas de espetáculos, em Londrina, estejam praticamente às moscas, o teatro ao qual poderia anexar-se o também almejado Centro de Convenções e Eventos um dia será construído, porque se não fossem esses arroubos de grandeza Londrina não seria o que é. Mas o que se discute é a forma, e esta defendida pelo prefeito não é a melhor. Porque não será em sua gestão que a conta da desapriação será paga; e nem a da construção, a não ser que ele espere fazê-lo em caso de reeleger-se.





