OPINIÃO DA FOLHA
Aproveitar o oportunismo
Se o fechamento dos bingos e a proibição das máquinas caça-níqueis é uma medida necessária e moralizadora, independente do oportunismo que os motivaram, persiste a incoerência representada pela presença da jogatina oficial, que são as lotos, as loterias, as vídeos-loterias, a tv-cassino e os ''baús da felicidade'', as toto-bolas e por aí em diante. O Brasil já é, de muitos anos, um grande cassino, embora a legalização dessas casas do gênero, do estilo Las Vegas muito pleiteada outrora por segmentos interessados nunca tenha sido aprovada. Afora isso, impera no País o jogo carteado clandestino, para não falar do jogo-do-bicho, este já elevado à categoria de acervo do folclore nacional, porque arraigado na cultura do povo.
Os temores agora são de que os bingos tomem o mesmo rumo e passem a operar na clandestinidade, ante as vistas grossas das autoridades, dessa forma alimentando corrupção. Porque a poderosa máquina dos bingos e congêneres, que promove e alimenta o vício e subtrai economias populares, tem conexão com as máfias, o tráfico de drogas, a lavagem de dinheiro e, repita-se, a corrupção no bojo da qual está agora o escândalo motivado pelo ''caso'' Waldomiro Diniz, que jogou lama sobre o Governo Lula e sobre o partido arauto da moralidade, o PT, ora no poder.
Os prejuízos para a Nação são muitos em face do que ocorre, e não era hora para mais essa. Bom seria que não tivesse acontecido, porque, de abalo em abalo, o Brasil já lento vai sofrendo paralisações. Crises políticas geram consequências econômicas, e ao invés de ''espetáculos de crescimento'' assistimos agora a um espetáculo de corrupção, apenas mais um dos quantos a Nação já assistiu, na esfera da administração pública, e o primeiro de dimensões graves do atual Governo.
O imediato afastamento do personagem central do escândalo e outra não poderia ser a atitude e a medida oportunista do fechamento dos bingos, são atos de estratégia do presidente Lula, mas significam também uma preocupação com as repercussões populares, e ao menos disto o Presidente não descuida. Há a considerar que este é um ano eleitoral, e o sonho do partido governista era dizemos era eleger um grande número de prefeitos petistas e reeleger os petistas atuais. Verdade que ao povo interessam muito pouco os ideais do PT de reforçar seu próprio poder meta fundamental do partido e sim que o Governo e os prefeitos que subirão ao poder em janeiro cuidem de bem administrar a máquina pública.
Aproveitando mais um ensejo que o oportunismo oferece, num momento de desgaste da imagem governamental, fará bem o Governo se, doravante, tome decisões tão imediatas para benefício da Nação como o fez com o fechamento dos bingos. Se a paz de Brasília não serve para reflexões por parte da comunidade governamental que lá habita, quem sabe pela alquimia dos sobressaltos, como mais um que agora acontece lamentável por todas as formas os senhores do poder acabem por tomar as grandes medidas que o povo reclama.





