OPINIÃO DA FOLHA
Com visão metropolitana
Os eventos culturais, além dos benefícios que encerram em si mesmos, como o atendimento ao lazer, a difusão de conhecimentos e a contribuição para o aprimoramento da sensibilidade das pessoas indispensáveis necessidades humanas são também agentes de mobilização da economia. A imaginada construção do Teatro Municipal de Londrina se insere entre as estruturas de que a cidade deve contar para consolidar-se como pólo cultural e também gerador de emprego e de giro financeiro.
Londrina, no momento, discute se é melhor destinar uma preciosa área no centro da cidade onde se localizava o antigo Colégio Londrinense para essa casa de espetáculos ou permitir que seus proprietários a vendam para um grupo interessado em implantar ali um gigante complexo comercial. Certo é que, no momento, o teatro ainda não é prioridade, considerando-se a falta de recursos públicos para desapropriar o terreno e construir o edifício.
Ontem, na mesma página deste jornal em que se falava da posição dos vereadores em torno da desapropriação ou não do imóvel, lia-se também que Londrina tem 25 assentamentos na periferia, onde cerca de 4 mil famílias habitam, sem a mínima infra-estrutura, sem emprego consolidado e, portanto, sem garantia de renda. Certamente que este problema merece prioridade.
Discute-se se a instalação de empresas com matrizes fora daqui ou multinacionais como pode ocorrer no terreno em questão não significa fator de evasão de lucros e descapitalização local, mesmo com a geração de empregos e outros giros de moeda, como a arrecadação tributária. Sabe-se que também grandes shows, com artistas ou grupos de fora, são escoadouros de dinheiro daqui, que poderia ficar aqui e dinamizar a economia local e regional.
De qualquer forma, o bom-senso indica que, se o poder público municipal não dispõe de meios no momento, não deve aventurar-se nesse grande empreendimento, até porque o local citado à margem de rua movimentada e barulhenta não se presta para uma casa de espetáculos, e porque um teatro não é apenas palco e poltronas mas toda uma infra-estrutura com salas de apoio e eventualmente de ensino, mini-auditórios paralelos e área para estacionamento. Ademais, como Londrina não tem, também, um centro de convenções, é possível conjugar num só local as duas instalações e mais uma estrutura hoteleira, assim como outros equipamentos.
Londrina, sede de região metropolitana, tem que pensar não só a cidade mas também a região e, por isso, não deve improvisar. Se algo tem de ser feito, que se faça grande e funcional, e se houver possibilidade de reunir tudo numa só área, tanto melhor, até pela funcionalidade e redução de custos. Sabe-se que os dois empreendimentos são antigos anseios de Londrina, então que se os planeje com visão ampla, como um dia se fez com o campus da Universidade Estadual, com o Instituto Agronômico, a Embrapa, o parque da Sociedade Rural, a Praça dos Três Poderes, o Estádio do Café e o Autódromo, a Estação Rodoviária, o Shopping Catuaí, instalados em locais periféricos, espaçosos e definitivos e com vasta possibilidade de ampliação.





