OPINIÃO DA FOLHA
Em defesa da água
A Igreja Católica, através da Campanha da Fraternidade, ergue mais uma bandeira em defesa dos cidadãos, do meio ambiente e por extensão do planeta. Atenta a um dos grandes temas atuais que merecem atenção, e valendo-se do seu poder político representado por mais de 100 milhões de católicos brasileiros, faz na campanha deste ano a defesa da água. Valioso bem do homem e da vida nesta esfera terrestre, a água foi tangida e ferida, e hoje escasseia, porque em grande parte envolvida pela poluição, pelo seu uso indevido e pelo desperdício.
Mais do que fonte de vida e direito de todos, a água é sagrada dádiva e confere à Terra a denominação de Planeta Água, eis que a maior parte de sua superfície é coberta pelo líquido salgado dos mares. O corpo humano é formado por 65% de água, e se perder apenas 10% dela corre risco de vida, sabendo-se que a perda de 20% será fatal. A água é, pois, além de um bem de consumo, a própria energia vital do ser humano, dos animais e vegetais, propiciando à terra germinar as sementes e produzir alimentos.
Conscientizar a população sobre o bom uso da água é das mais oportunas campanhas e com certeza se tornará, doravante, uma das principais preocupações da humanidade, ainda não muito consciente disso mas que inevitavelmente se tornará. Porque é sabido que aquilo que não se preserva pela consciência acabará ocorrendo pela escassez e pela necessidade. À medida que a população aumenta, mais se precisará de água, e a humanidade não fez esse cálculo, continuou na cultura do desperdício e, pior que isso, poluiu-a com gases venenosos.
Pela ação dos ambientalistas, às vezes criticados pelo ardor do seu movimento que chega em certos casos à exacerbação e à violência é certo que sem eles a situação ambiental do mundo seria pior e não teria ocorrido o despertamento para o problema e para a necessidade de preservar a água, o ar, a terra e as plantas e, assim, preservar a integridade física do ser humano.
A tomada de consciência há de partir de cada um, a começar pela dona de casa no uso diário desse líquido para as funções domésticas. O exemplo que se der aos filhos pequenos eles seguirão, pois ignoram que a água potável já escasseia. Lavagem de pisos e calçadas com água correndo solta é um duplo desperdício, pois isso custa também dinheiro. Há que orientar os serviçais que se ocupam dessa tarefa e fazê-los compreender.
A própria agricultura, que além da natural água das chuvas necessita de reforço de irrigação, deve também adotar métodos de economia do líquido e não permitir o esgotamento dos mananciais, pois se sabe que rios ficaram totalmente secos pelo desvio da água para as plantações. E enquanto muitos desperdiçam, boa parte da população brasileira não dispõe de água boa de beber, com todos os riscos de saúde decorrentes.





