OPINIÃO DA FOLHA
Mudar mentalidades
Por algumas culpas próprias e por conta de uma distorcida mentalidade predominante desde muitos anos, o dono de empresa, no Brasil, ainda é encarado como vilão, e não à-toa triunfam soberanas as ações trabalhistas contra essa classe de empreendedores que ousa implantar um negócio, gerar produção, pagar impostos e criar empregos. Retire-se a empresa, e a nação irá à falência, mas não é isso que pensam o sindicato e o grosso volume da massa social sobretudo a que compõe a comunidade empregada que vêem no dirigente empresarial mais um adversário que um parceiro e um agente de desenvolvimento.
Sem um e sem outro nenhuma empresa sobrevive, mas é também certo que investir num negócio é um ato de coragem, sempre mais ousado que apenas candidatar-se a um emprego e saber garantido o ganho e as proteções da legislação. Não tem a mesma segurança aquele que se arroja em abrir firma e ingressar na corrente de risco que ela oferece. Se os salários são ainda baixos para quem trabalha como empregado, o ganho do empregador não é diferente, no mais dos casos. Ressalvam-se, naturalmente, certos negócios milionários, no Brasil, alguns ilícitos.
O capitão de empresa é visto como responsável pelos males sociais, a imaginar-se que abocanha os lucros e divide migalhas com os empregados, o que é verdade em alguns casos mas não é a maioria, porque se sabe que as empresas vivem penduradas nos bancos e em situação tão difícil e insegura quanto aos malpagos trabalhadores. Custo alto do dinheiro para tocar o negócio, carga tributária pesadíssima, cobrança exorbitante de encargos sociais sobre os salários, burocracia oficial emperradora, lei trabalhista antipatronal, são fatores desconhecidos por aqueles que não sabem o que é estar no comando de uma empresa.
Foi-se o tempo do trabalho escravo e das irregularidades para com empregados, e se em alguns rincões atrasados do País isso ainda acontece, é certo que as empresas, grande e pequenas, operam hoje dentro das normas legais na sua relação com os empregados. Mas no Brasil predomina ainda a mentalidade de que o patrão é, em princípio, culpado. Tanto que, no julgamento das causas do trabalho, no mais das vezes parece inverter-se para ele um célebre postulado do direito, cabendo-lhe, se, acusado, o ônus de provar em contrário. Crie-se uma sábia legislação trabalhista, que contemple a ambos empregado e patrão atenue-se o peso dos impostos e dos encargos sociais sobre o salário, valorize-se a classe empresarial, e o Brasil dará um salto de qualidade, sem tanta dependência governamental.





