OPINIÃO DA FOLHA
Descontentamento no campo
Há um clima de descontentamento das lideranças rurais do Paraná com o que qualificam de demora do Governo do Estado em executar as sentenças judiciais de reintegração de posse de propriedades invadidas. Reunião do Conselho das Sociedades Rurais do Paraná, que acaba de se realizar na sede da Sociedade Rural, em Londrina, mostrou o grau de insatisfação que impera, com críticas pesadas ao governador Roberto Requião, por considerarem que ele tem uma clara predileção pelo Movimento dos Sem-Terra, em detrimento dos produtores.
A recente decisão do Governo estadual de abrir espaço na TV Educativa para o MST, com a destinação para esse fim de uma verba pública de R$ 300 mil mensais, está sendo considerada uma afronta, não só aos produtores rurais mas aos cidadãos, que são afinal os pagadores dessa conta, quando escasseiam recursos para finalidades sociais.
Com efeito, causa perplexidade a destinação de dinheiro do povo, que poderia ter fim mais produtivo e ademais a tão vultosa soma de R$ 3,6 milhões/ano para função de propaganda ideológica, quando se sabe que o Movimento dos Sem-Terra já dispõe de volumosos recursos que lhe chegam de todas as partes para financiar sua ação política e até para avanços mais ousados.
Não são infundados o temor e a revolta dos presidentes das Sociedades Rurais do Paraná que falam pela voz de seus milhares de associados. Não faltaram, na reunião de Londrina, pronunciamentos de que está sendo montado no País ''um vigoroso esquema de esquerdização'', a partir do Planalto Central, ''com a aniquilação dos partidos de oposição'', a ''busca do controle do Judiciário'' e a formação de um bloco com o apoio inclusive de organizações transnacionais do tipo FARC as forças guerrilheiras da Colômbia.
Ressalvados alguns exageros quanto a isso, é certo que impera uma apreensão no campo. Os líderes mais sensatos e influentes propõem que a comunidade produtora rural se organize e se estruture, visando sensibilizar sobretudo a opinião pública e trazê-la para o seu lado porque essa é uma das estratégias do MST. Dessa forma, entrariam na luta com força total e mostrariam o valor do produtor rural e sua importância para a sustentação da economia nacional, por extensão a geração de empregos e a garantia do fornecimento alimentar à população.
É certo que essa investida despertaria a atenção de outras lideranças para a causa do campo, notadamente as das demais classes produtoras e instituições com poder de influência. Ao mesmo tempo, mobilizaria os veículos de comunicação que marcham no caudal dos acontecimentos e sensibilizaria o Governo a eliminar entraves que dificultam o processo produtivo e a dar mais apoio à agricultura e à pecuária, segmentos fundamentais da economia, e, mais que isso, da própria segurança nacional.





