Blitz sobre CMTU e Detran

Se é dever dos organismos competentes policiar o trânsito, é seu dever maior, antes de qualquer exercício de punição, verificar se a parte que corresponde ao poder público está em dia. Não é o que ocorre em Londrina, segunda maior cidade do Estado com 170 mil veículos automotores registrados e metade deles circulando pelas ruas no horário de expediente. Uma blitz, principalmente sobre a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanismo (CMTU), mostraria que há muita lentidão nesse órgão no que respeita à atribuição que lhe cabe de melhorar a qualidade do setor em Londrina.
Então, antes de mais uma campanha de blitz, como agora ocorre, melhor seria que a CMTU, para um bom começo, sincronizasse os semáforos. Se sincronização existe em pequenos trechos, logo é interrompida, o que inutiliza a sabedoria do sistema, que visa manter o fluxo de veículos em ritmo constante, ao tempo em que disciplina a velocidade. Se no mundo inteiro o sistema funciona em vastas e contínuas extensões, pode funcionar também aqui. Imagine-se milhares de minutos/carro ante o semáforo desregulado (na sua relação com os demais) e milhares de litros de combustível gastos à toa. (Esse estudo já foi feito por um engenheiro, tempos atrás, e mostrou números estarrecedores de desperdício de tempo e dinheiro).
O sistema viário poderia ser bastante melhorado nesta cidade onde é grande o número de veículos, somando-se os novos que entram diariamente em circulação. Nos três anos da presente administração a CMTU ainda não mostrou grande coisa, a não ser projetos. Em Londrina o pedestre não tem vez no trânsito, a não ser em alguns pontos; não se conhece um estudo para eventual alteração no sentido de ruas; nada para favorecer o estacionamento (que em algumas artérias poderia ser dos dois lados); algumas ruas poderiam ter estacionamento em diagonal, o que duplicaria o espaço; canaletas para conversões deveriam existir em maior quantidade; os pontos de conflito são muitos e já deveriam ter recebido atenção; há abusos com as reservas de espaço para estacionamento defronte de edifícios comerciais e parece que ninguém fiscaliza.
Nos finais de semana a principal via da cidade - a Avenida Higienópolis - tem fluxo decuplicado no sentido do Shopping Catuaí e Carrefour (e retorno), com pouquíssimo movimento nas transversais e enormes filas de carros parados se formam diante dos semáforos que ficam tempo demais no vermelho inutilmente. O sinal intermitente seria ideal nessa artéria e nos dias e horários de pico, ou então a presença de guardas orientando o tráfego manualmente. De qualquer modo, no dia-a-dia, nas pistas de grande fluxo deveria ser diminuído o tempo do vermelho e aumentado o do verde, pois é preciso contemplar a faixa de maior densidade de tráfego.
Pequenas mas fundamentais providências para melhoria do trânsito não demandam grandes gastos. Se a cidade continua com o mesmo espaço físico para a circulação de veículos, então será preciso muita atenção para esse aspecto. É tarefa para vigilância diária, com equipes especializadas percorrendo as ruas para verificar os problemas in loco e pensar soluções atenuadoras. Os policiais do trânsito - estaduais e municipais - de sua vez, não são vistos orientando o tráfego nos pontos de conflito e nos horários de maior exigência, e nem se ouve por aqui apitos de guarda. Policiar é necessário, assim como fiscalizar a documentação de motoristas e veículos - e disto o Estado não descuida, por causa dos impostos em atraso - mas, antes das punições, a CMTU e o Detran devem fazer a sua parte bem feita e, depois sim, sair às ruas para fiscalizar e cobrar.

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