A volta da Patrulha Escolar

Nos países onde o culto à cidadania é mais avançado, a presença de um policial inspira confiança e segurança e os cidadãos o consideram um protetor. No Brasil, infelizmente, isto ainda não ocorre e, ao contrário, esse agente, com a função de ser um guardião, é visto com certa prevenção por parte da sociedade. As razões para esse comportamento são muitas, a maior delas o noticiário frequente do envolvimento de policiais com a corrupção, seguindo-se a da truculência.
Mas, embora esta realidade nada engrandecedora, que denigre também o corpo social e coloca em questão a própria capacidade de solucionar seus problemas, certas fórmulas que vão sendo encontradas ativam esperanças, a demonstrar que, nos comandos, há pessoas buscando caminhos de melhoria. É o caso, anunciado ontem neste jornal, da reativação da Patrulha Escolar, para dar proteção às escolas e estudantes e dar orientação para que cooperem nos próprios planos de segurança.
Os policiais destinados a essa tarefa já estão sendo treinados, para atuar, inicialmente, em projetos-piloto nas principais cidades do Paraná, onde os assaltos e roubos a estabelecimentos escolares têm sido frequentes. Eles começarão por um diagnóstico das escolas, para atuar depois como assessores e consultores de segurança, contando portanto com a cooperação das partes envolvidas, que são os diretores das escolas, estudantes e pais de alunos.
Cria-se, assim, sem abandono dos esquadrões de choque que atuam nas missões mais pesadas, a figura do policial amigo da sociedade, integrando ao menos nesse segmento os organismos de segurança pública e os cidadãos, dividindo participação e responsabilidade. O governo do Estado está dando relevância a esse programa, tanto que o governador Roberto Requião estará presente ao seu lançamento oficial, na próxima segunda-feira.
Se a medida não é, por si só, a solução para os macroproblemas da segurança, é um passo à frente e com toda certeza apresentará resultados positivos logo que for posta em prática, ao tempo em que resgatará um pouco daquela confiança perdida. O anúncio de medidas preventivas, ademais, é inibidor da ação dos marginais, que recuam quando sabem que não irão encontrar o campo aberto.
Devem saber os coordenadores desse programa que será preciso manter constância e, progressivamente, ir ampliando a área de ação, para atender não só as grandes mas também as demais cidades. À medida que essa campanha de segurança escolar for se consolidando, mais incentivará a confiança dos seus militantes - policiais e cidadãos - e enfraquecerá o ímpeto dos ladrões e semeadores de intranquilidade nas escolas.

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