Paranaenses querem crescimento
  
Responsável por grande parte da produção nacional de grãos, juntamente com o Rio Grande do Sul, o Paraná conseguiu aumentar o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado em 3,1% no ano passado por conta da agroindústria e das exportações. Esse índice é sete vezes maior que o PIB nacional, que fechou 2003 com um crescimento de 0,4%.
  Tamanha é a importância do agronegócio paranaense no cenário nacional que outros setores da economia no Estado deveriam ser ouvidos com mais atenção pelo governo federal. É o caso da indústria e do setor de transporte de cargas, que clama pela retomada do crescimento econômico. A Folha mostra hoje em reportagem as críticas e soluções apontadas por empresários e analistas econômicos paranaenses.
  Sem esquecer a firmeza com que o governo praticou e pratica a âncora fiscal, revertendo a expectativa negativa do mercado que em outubro de 2002 chegou a atingir 2.200 pontos de risco Brasil e hoje não passa de 575 pontos-base, os paranaenses reivindicam ao governo a redução de juros na política macroeconômica, aumento da renda do brasileiro, ganho de produtividade nas atividades industriais e investimentos na infra-estrutura do País.
  Mesmo o Ministério do Planejamento afirmando que o crescimento da indústria já está garantido neste ano, o governo federal anunciou na última sexta-feira um contingenciamento de aproximadamente R$ 6 bilhões das despesas de custeio e investimentos do Orçamento de 2004. Metade da redução dos investimentos deverá pesar basicamente sobre as propostas de gastos feitas pelos parlamentares em seus Estados e outra metade sobre gastos de manutenção da máquina administrativa.
  Como diz um dos economistas na reportagem que a Folha traz hoje, o papel mais importante de um governo é criar um ambiente que estimule o crescimento das empresas brasileiras. Para a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), com receio da inflação, o governo trava o crescimento e usa os juros como ferramenta para esfriar a economia. Prova paranaense de que o desenvolvimento brasileiro está na retranca pode ser demonstrado pela decisão do grupo empresarial Atlas, de Pato Branco, que adiou por seis meses a inauguração da Atlas Sul – ex-Enxuta, em Caxias do Sul (RS).
  A solução para a retomada do desenvolvimento econômico, na voz dos paranaenses, seria controlar a inflação com um superávit primário expressivo, promover gradualmente a redução dos juros, economizar nas contas públicas e permitir o aumento da produção industrial. Enfim, garantir um modelo econômico que privilegie a produção e o emprego.

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