A sociedade financia alguns

O recente surgimento de um camelódromo alternativo, criado por grupos de camelôs e de comerciantes que se excluíram do oficialmente instituído e instalado no centro de Londrina, cria uma preocupação: quando e onde surgirá um novo foco de ambulantes, que com o passar do tempo terão que ser alojados em algum lugar, com as despesas de locais e de instalações financiadas pela sociedade, via tributos pagos ao poder público pelos contribuintes?
A questão é mais complexa do que aparenta, principalmente num momento em que o desemprego e a queda do rendimento do trabalhador são os grandes monstros da economia brasileira, e a informalidade, em suas diferentes formas, é cantada e discursada por políticos e alguns analistas econômicos como a grande solução para o problema.
Ambulantes surgem porque milhares de brasileiros perdem o emprego de uma hora para outra. E destes, um bom número tem dificuldades para encontrar nova ocupação com a carteira de trabalho assinada. Recente pesquisa feita por um estudioso do Estado de São Paulo alerta, inclusive, para um problema que tende a se tornar muito grave em curto espaço de tempo: o desemprego impulsiona a informalidade, que por sua vez cria uma legião enorme de desprovidos de quaisquer garantias e assistência.
Com uma atividade autônoma que proporciona pouca renda, nem as contribuições da Previdência são recolhidas, o que dificultará no futuro a luta pela aposentadoria que, embora de valor hilariante para os trabalhadores da iniciativa privada, ainda garante certa ajuda para quem chega à idade de receber o benefício.
De momento, a principal preocupação, no entanto, é com o grande número de trabalhadores informais que necessitam de um ponto para vender seu artesanato, quando a opção não é pela comercialização de produtos ilegais, que no Brasil tem a fronteira com o Paraguai como a principal porta de entrada.
O jogo da pressão, muitas vezes estimulado por entidades que representam estes trabalhadores, inclui a ocupação das calçadas, numa rotina de fugas diárias da fiscalização, até que o poder público, como já fez outras vezes, acene com uma solução que inclui instalações físicas e muitas despesas para os cofres públicos.
Assim acontece com os ambulantes, que se transformam em pequenos comerciantes quando a solução se apresenta, como também com os artesãos, os hippies e todos os demais que, de uma forma ou de outra, estejam suficientemente mobilizados para pressionar. A sociedade formal, que paga impostos e inclui os trabalhadores com renda retida na fonte, financia tudo. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva promete empregos. Mas quando e como?

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