OPINIÃO DA FOLHA
Se agora der certo
O governo do Estado põe na mesa a sua carta mais valiosa ao desapropriar, via decretos, cinco das seis empresas concessionárias de pedágio no Paraná. As tentativas anteriores, se não foram totalmente inúteis, demandam tempo e uma briga judicial sem ganhador e nem perdedor, pois as liminares servem justamente para colocar em prática, enquanto uma ação principal tramita na Justiça, a queda-de-braço sem fim das partes. Ora um ganha, ora outro sai vencedor. E, enquanto isso, o usuário continua pagando por um serviço cujo contrato estabelecia determinadas melhorias, mas que deixam de ser feitas pelo fato de haver polêmica e questionamentos sobre o sistema de concessão de rodovias.
Infelizmente, o quadro paranaense não difere muito da de alguns outros estados. Viajar do Norte do Paraná para Minas Gerais, Goiás e até Brasília pela Transbrasiliana, a BR-153, dá ao motorista a impressão de que ele está empunhando uma arma de fogo com o cano apontado para o próprio ouvido, brincando de roleta russa. A qualquer momento o veículo pode cair num buraco aberto no meio da pista e sofrer danos. Se o usuário estiver a uma velocidade acima do tolerável, corre o risco de provocar ferimentos em si e em seus acompanhantes, pois algumas imperfeições das pistas mais parecem enormes crateras.
Não se paga pedágio na Transbrasiliana, o que não justifica o seu mau estado de conservação. Paga-se impostos, inclusive o IPVA. Caminhoneiros que transportam mercadorias pela 153 também carregam em suas carrocerias ou caçambas produtos tributados. E se a Transbrasiliana leva de algum lugar a outro, com certeza o seu projeto visou algum benefício social e comercial. Não teriam investido milhões para construir uma estrada sem finalidade.
Caso fosse possível colocar lado a lado a Castelo Branco e a 153, uma pareceria um tapete. Mas a diferença de um custo muito alto para o usuário, o pedágio que se paga na rodovia que leva a São Paulo. E numa comparação entre a Castelo Branco e a Dutra, já com destino ao Rio de Janeiro, é muito fácil perceber que, nesta última, apesar do pagamento de pedágio, o tapete está gasto e até alguns pequenos buracos, em seguida às chuvas, colocam os viajantes em risco.
Já na comparação entre as estradas pedagiadas do Paraná, de São Paulo, do Rio de Janeiro e de outros estados brasileiros com os sistemas existentes em alguns países avançados, o que mais se destaca é a inexistência de vias alternativas. A opção é única, se não pagar pedágio, não se chega ao destino por outra rodovia. E mesmo havendo a opção em alguns países de viajar por vias onde o único pagamento está nos impostos, as estradas costumam ser trafegáveis.
O governo do Paraná pretende, com a desapropriação, reduzir o valor das tarifas no prazo de 120 dias. Ainda que o tempo seja longo, espera-se que desta vez a carta colocada na mesa dê vitória às pessoas que, de automóveis, caminhões ou ônibus pagam caro, direta ou indiretamente, para viajar a passeio ou a serviço e ainda comer, vestir-se, andar calçado e fazer tudo o mais, uma vez que o alto custo do pedágio está embutido nos preços que o consumidor paga pelos produtos transportados.





