A decisão do juiz Julier Sebastião da Silva, do Mato Grosso, acatando ação movida pelo procurador da República José Pedro Taques, de determinar a identificação dos turistas norte-americanos que chegam ao Brasil, caracteriza uma posição nacional muito diferente de há alguns anos, quando vigorava uma espécie de submissão, em diferentes sentidos, às coisas estrangeiras. Embora este tipo de discurso pareça antiquado, infelizmente era o que ocorria no passado e tão somente em relação aos norte-americanos.
A cultura certamente entreguista herdada do regime militar, onde o amém se dizia inclusive nas mais delicadas decisões políticas e econômicas, e cujos efeitos chegavam à população brasileira por via da forte propaganda patrocionada pelo Estado, tornava o que vinha de fora muito mais interessante do que havia no País. Enquanto na esfera governamental as regras da economia e da política eram impostas, na cultura, por exemplo, a música, sobretudo, ganhava inicialmente todos os segundos das emissoras AM e, posteriormente, também as FMs que surgiram.
Na educação o desastre foi maior, resultado de um acordo entre o Ministério de Educação brasileiro e um órgão norte-americano instituído para moldar a educação de países em desenvolvimento de acordo com os interesses dos Estados Unidos. Para as gerações mais jovens, é bom que se enfatize: os interesses estavam embolados na luta contra o comunismo, razão da guerra fria que mobiliza tropas e patrocinava golpes em países dos mais diferentes, inclusive da América Latina. Brasil, Argentina, Chile e Venezuela, principalmente, tiveram a infelicidade de passar por esta fase, de memória triste, com a elevação ao poder, via interferência estrangeira, de regimes militares.
Assim, o ensino superior brasileiro, moldado às exigências norte-americanas, aderiu ao chamado sistema de crédito, em que o risco que se corria era de encontrar diferentes turmas de alunos em cada disciplina cursada no mesmo período. A intenção era flagrante: desmobilizar os estudantes, de forma que estes, sem contato, não tivessem estímulo para participar de lutas sociais e políticas comuns na época.
Todo este histórico é importante para mostrar o acerto da decisão da Justiça brasileira. Se o nosso cidadão é obrigado a passar por revista nos Estados Unidos, sendo fotografado e tendo as impressões digitais recolhidas, que se faça o mesmo com os que vêm de fora. Não se trata de um revanchismo. O que vigora é que rigor vale para todo mundo e em qualquer parte do planeta. Chega de ser bonzinho a custa do constrangimento do nosso povo.

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