OPINIÃO DA FOLHA
Compromisso com Londrina
Quatro assassinatos em Londrina e outros três na região marcaram o início de 2004 no Norte do Paraná, na saíde de um ano, o de 2003, caracterizado pelo alto índice de violência e por um grande número de homicídios envolvendo adolescentes, a maioria envolvida com o usa e o tráfico de drogas. Ontem, mais um corpo baleado foi encontrado em Londrina, cuja morte teria ocorrido ainda em 2003.
Apostar no que é abstrato é levar adiante uma situação sem tentar resolver os problemas que a cercam. Desta forma poderia se dizer, como se faz popularmente, que o que acontece no primeiro dia do ano se repetirá até o seu final, com certa frequência. Ou, na melhor das hipóteses, torcendo para o contrário e contradizendo a voz corrente, que tudo o que de ruim poderia acontecer em 2004 já ocorreu no primeiro dia, o que é pura ilusão ou, como já se disse, torcida pelo impossível. Evidente, nenhuma das possibilidades tem fundamento.
É de conhecimento da sociedade que só a firme atuação do poder público, através das forças policiais e do sistema prisional adequado, será capaz de reduzir o índice de violência em qualquer parte do mundo. Nova York, lá longe, continua sendo um exemplo de ação enérgica capaz de virar um quadro preocupante em tempo recorde. A mistura de endurecimento do Estado contra a criminalidade e de estratégias racionais, com interferências inclusive nas polícias, devolveu tranquilidade a uma população.
Foi, portanto, um conjunto de medidas o responsável pela mudança da situação criminal. E, no caso brasileiro, alguns segmentos incluiriam neste conjunto os projetos sociais para acabar com o desemprego e as injustiças sociais, o que não deixa de ser correto, embora nada justifique a morte para roubar.
O ano de 2003 já foi pródigo em relação aos períodos anteriores, pois alguns planos para a segurança foram lançados e colocados em prática. Mudanças também foram feitas nas cúpulas das polícias e, o mais surpreendente, inúmeros casos de corrupção envolvendo policiais chegaram à tona. Melhor do que isso, acredita-se, pelo andamento das investigações, que estes não serão casos a serem engavetados.
Entende-se que resultados práticos de determinadas ações possam levar algum tempo para refletirem nas estatísticas. Entretanto, os números do primeiro dia de 2004, por mais que alguns planos já estejam em andamento, demonstram claramente que é preciso muito mais. Só a polícia, sem o respaldo da política, pouco pode fazer. Então que o façam os políticos, estejam eles no legislativo ou no executivo, e nas diferentes esferas do poder.





