OPINIÃO DA FOLHA
Adotar nas empresas a política da responsabilidade social traz mais do que uma boa imagem perante a comunidade onde estas estão instaladas. Reportagem publicada por este jornal na edição deste domingo apresentou alguns casos bem sucedidos e mostrou, além de tudo, que os benefícios extrapolam os limites da filantropia, muito bem agradecida, e contemplam também os financiamentos, que gozam de juros mais baixos, e os seguros, menos onerosos do que os convencionais. O consumidor ou usuários dos produtos ou serviços ofertados pela empresa que inclui em seu orçamento as dotações para a responsabilidade social também se vangloriam do fato de estarem se relacionando com uma empresa que extrapola o seu papel de apenas produzir ou prestar determinado serviço.
Dois casos de Londrina foram mostrados na reportagem. Num deles, a empresa atua com vários projetos, desde a capacitação profissional de menores da comunidade onde ela está instalada até os meios de oferecer oportunidades de trabalho para adultos, com cursos profissionalizantes. Em outra ponta, a participação da empresa na comunidade se manifesta também em obras importantes, como a reforma ou construção de creches, por exemplo, além da devida manutenção deste tipo de atendimento. Como se não bastasse, a empresa trabalha no aprimoramento de uma interação ímpar com os moradores que cercam sua unidade em Londrina, com reuniões e outros meios de comunicação. Do lado de dentro, se preocupa em envolver seus funcionários nas atividades voluntárias, valorizando aqueles que melhor se empenham e até priorizando a contratação em seus quadros de pessoas que atuam como voluntárias.
Em outro exemplo do Norte do Paraná, a empresa atua no acompanhamento escolar de jovens carentes até a sua formação, no ensino superior, fornecendo todo o tipo de assistência durante os estudos. Assim, acompanhamentos médico, odontológico, psicológico e outros necessários, que normalmente um estudante carente jamais teria, estão à disposição. E para deixar claro que o projeto visa formar pessoas, e não apenas fazer filantropia, o jovem beneficiado assume o compromisso de, futuramente, retribuir a ajuda recebida trabalhando no apoio de outros jovens.
Há, com certeza, muitas outras empresas de Londrina e da região também praticando trabalhos semelhantes, mesmo que em menor nível. Mas todas as ações nesse sentido são importantes, por mais inexpressivas que pareçam, pois espelham uma conscientização do empresariado para a necessidade de um crescimento uniforme da sociedade. É o entendimento perfeito de que as desigualdades sociais prejudicam a todos e, portanto, devem ser combatidas. Mas ainda são poucos os empresários que pensam assim. É hora do setor se espelhar nos exemplos mostrados na reportagem e agir. Para um futuro melhor.





