OPINIÃO DA FOLHA
Causas e vidas perdidas
Um atentado no Natal deixou o saldo trágico de dezenas de mortos e ganhou as manchetes dos jornais e os destaques dos programas noticiosos das emissoras de rádio e de televisão de todo o mundo. Algumas horas depois, um terremoto deixa milhares de mortos no Irã, em números que vão subindo de valor na medida em que mais corpos são encontrados entre os destroços.
Parece coincidência. Mas o Oriente Médio é a região do planeta onde os acidentes de grandes proporções e a violência parecem ocorrer com mais intensidade. Não se nega que catástrofes são acontecimentos imprevisíveis e, vez ou outra, os meios de comunicação são obrigados a noticiar o número de vítimas de um choque de trens, uma enchente com vários desabrigados e mortos, ou a queda de um avião de linha comercial com centenas de vítimas fatais.
E foge, infelizmente, do controle do ser humano estimar quantas vidas podem ser poupadas a cada atentado, a uma nova ocorrência de terremoto, alagamentos ou quedas de avião, embora os avanços da ciência possibilitem, em países que investem no setor, saber quando e onde deverá ser registrado um novo tremor de terra.
Mas palestinos, israelenses e iraquianos, se valesse nesta análise um enfoque místico, dão a impressão de provocar situações calamitosas. A onda de violência é tão intensa e está é por ação do homem. Diferente de uma catástrofe cuja causa tenha sido uma disfunção da natureza devido à interferência equivocada do ser humano no ambiente, mortes e feridos provocados por explosões e tiroteios causam mais revolta, fomentam sentimentos de indignação e repugnância.
Então não se tira o direito de as pessoas comentarem, pelas ruas, que até os acidentes, sejam da natureza ou de meios urbanos como um trem ou um avião, sejam respostas a tantas provocações. Por mais emocional que seja este tipo de análise, parece que seus autores, logicamente pessoas comuns e não especialistas em assuntos tão complexos como um conflito sem fim, chegam a merecer certo crédito.
O Natal de 2003 foi, em algumas regiões do mundo, mais triste do que outros natais. Mortes ocorreram, provocadas por atentados. Milhares de vidas se perderam com o impacto de um terremoto de resultado assustador.
Melhor seria que nada disso existisse. A ciência avança e pode apontar meios de prevenção contra catástrofes. Se não houvesse tanta guerra, talvez os cientistas de qualquer parte do mundo pudessem contribuir para amenizar os efeitos dos fenônemos da natureza que provocam perdas. Mas, pela impressão que se tem, a prioridade ainda são as armas.





