Mudança imposta
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve anunciar no início de janeiro algumas mudanças em seu primeiro escalão, conforme noticia a grande imprensa nacional. Com isso, o presidente estaria contentando os partidos aliados, que pressionam já há alguns meses pela reforma ministerial.
O que se cogita é que as mudanças serviriam para acomodar o PMDB, numa espécie de troca pelo papel decisivo que este partido teve na aprovação das reformas tributária e da Previdência. O PMDB, atualmente, não participa dos ministérios e ganharia, com a reforma, as pastas das Cidades e das Comunicações.
Mudanças são fatos comuns na política. Infelizmente, da mesma forma como no futebol, diria-se que não se mexe em time que está ganhando. Mas nesse esporte, às vezes, o técnico precisa se submeter à vontade de algum cartola e se vê obrigado a trocar uma peça importante do esquema tático de sua equipe.
Na política, o jogo de favores é mais flagrante. O PMDB, um partido grande, está fora do ministério do governo Lula da Silva e, antes de partir para o ataque, no lado da oposição, decidiu cumprir os favores alinhando-se entre os aliados do governo. Claro, essa postura resultou em alguns benefícios para a população como um todo, tanto quanto interferiu decisisamente na batida do martelo em posicionamentos questionáveis. As reformas tributária e da Previdência estão para ser conferidas, pois de novo e positivo, para a maioria da população, trazem muito pouco.
Por outro lado, é estranho o fato de alguns partidos menos representativos que o PMDB estarem no governo, ocupando importantes postos. E isso também é fruto do mecanismo de bastidor que torna o governo eleito pela maioria uma composição estranha e absurda, de políticos que jamais receberiam votos de quem votou em Lula da Silva.
Ao que parece, o atual ministério necessita realmente de uma reforma, com aparas ali e aqui e substituições em algums postos. Mas que seja então uma mudança a ser feita por determinação do governo. Saber que as substituições ocorrerão por pressão dos aliados é frustrante, embora se saiba que esta prática é comum. Mas, por se tratar do governo Lula da Silva, esperava-se que a triagem para melhor filtrar as imposições fosse mais rigorosa.

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