O círculo aberto
O mundo e não somente o Brasil espera por melhoras em 2004. Uma pesquisa cujo resultado foi divulgado ontem em Londres por uma consultoria britânica indica que dentre os 200 diretores financeiros de várias partes do planeta ouvidos, a maioria manifesta melhora de confiança nas perspectivas da economia no próximo ano. Bem ao contrário do que ocorreu em 2003, quando um levantamento semelhante mostrou um acentuado pessimismo.
Mas são os economistas norte-americanos e asiáticos os que mais expressam otimismo. Nos Estados Unidos, 72% dos entrevistados, e na Ásia, 84%. Já na Europa, o otimismo é manifestado por apenas 35%, porcentual melhor que o do atual ano, que foi de 10%.
Ainda assim, os indicadores que se apresentam podem ser caracterizados como bons ventos para a economia mundial, uma vez que a esperança de um período pródigo ecoa justamente de países ou continentes onde as potencialidades são visíveis e as tendências indicam capacidade de crescimento.
Quanto ao Brasil, já se mostrou neste espaço que por reação própria do mercado a economia apresenta-se em fase de evidente recuperação, com o ânimo do setor empresarial em alta e o surgimento de perspectivas mais palpáveis de investimentos no País.
O próprio otimismo do empresariado já resulta em um efeito psicológico importante, muito ao contrário do que se verificou no início de 2003, embora um fator extra vigorasse como o novo, capaz de mudar a tendência da economia nacional: a posse do novo governo no Palácio do Planalto.
O que ocorreu foi que as medidas do governo federal foram apenas emergenciais e mais voltadas para a área social. Mas, aos poucos o mercado reagiu, impulsionado sobretudo pelo bom desempenho do campo tanto na parte da produção agropecuária quanto nos agronegócios.
O círculo, porém, ainda não foi fechado. Pelo contrário, encontra-se muito aberto e tende a se abrir mais caso a reação do setor empresarial deixe de contemplar um segmento importante: o trabalhador.
Não por coincidência, mas por força das pesquisas que são publicadas mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, constata-se queda acentuada na renda do trabalhador. E não é preciso análise aprofundada para entender que sem renda, não há consumo.
Assim, a empreitada que se torna necessária, já a partir dos primeiros meses de 2004 e apesar da reforma tributária, é no sentido de reduzir impostos para melhorar o ganho dos trabalhadores. Eis uma boa causa para o próximo ano e esse papel é do empresário.

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