OPINIÃO DA FOLHA
A boa safra
A agricultura brasileira gerou em 2003 satisfações e sorrisos, depois de anos de descontentamentos. Ontem, uma nova estimativa para 2004 foi divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, prevendo a colheita de 130,9 milhões de toneladas.
Esta estimativa significa crescimento de 7% em relação a safra de 2003, cuja previsão é de atingir 122,5 milhões de toneladas até o final da colheita. Cabe salientar que a safra deste ano já é superior a de 2002. De acordo com os números divulgados pelo IBGE, 44,3 milhões de hectares de terras deverão ser cultivados para a safra de 2004, número também 4,22% superior a área de 2003.
Ontem, a boa notícia foi sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro, que deverá fechar 2003 em R$ 458,83 bilhões e é o melhor resultado da história, segundo levantamento feito pela Confederação Nacional da Agricultura e Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo. Com isto, o agronegócio participa do PIB total do País com 31,5%.
Já a agricultura brasileira apresentou, de acordo com o mesmo levantamento, crescimento de 18,6%, conforme o Departamento Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, resultado que se chega graças à safra recorde de 122,5 milhões de toneladas. Este crescimento seria o mais importante nestes últimos 10 anos.
Não seria o 'por acaso' responsável por este período de bonança no campo. Alguns fatores são fundamentais, a começar pelo mercado, que especialmente neste último ano esteve favorável para o produtor brasileiro. Mas este fator é apenas uma ponta que talvez tenha estimulado a ocorrência de outras, como a tecnificação no campo.
Como uma alavanca, o mercado desperta o agricultor para a necessidade de trabalhar com tecnologias recomendadas pela pesquisa, para produzir mais e com melhor qualidade. Assim, seu produto se valoriza e os gastos com a tecnificação se diluem, senão nas primeiras safras, mas com certeza futuramente.
É importante lembrar que a agricultura brasileira saltou do meio de um furacão violento e revigorou praticamente toda a economia nacional. E não dependeu de planos governamentais, fato que é imprescindível destacar. Andou sozinha, com a força e o empenho do setor produtivo nacional. Há, portanto, um amadurecimento e seus reflexos são positivos. Um bom exemplo para setores que ainda caminham empurrados pelo Estado.





