Tarefa de casa, sim ou não?

Uma questão bastante polêmica foi levantada esta semana em Londrina pela professora da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Goiás, Martha Guanaes Nogueira. Ela defende a proibição da tarefa de casa para os alunos do ensino básico, pois atividades escolares para serem cumpridas fora da sala de aula acabam com o tempo da brincadeira infantil.
Entre as justificativas, a professora destaca que, antigamente, as crianças ingressavam no extinto curso primário aos 7 anos de idade. Agora, devido às necessidades de trabalho dos pais, a maioria delas começa com as atividades escolares ainda muito nova, até com 1 ano de idade. Esta realidade, afirma a professora, acaba com o tempo de brincar livremente dos pequenos, embora as escolinhas mantenham as recreações e o lazer em suas programações.
Uma das afirmações mais enfáticas de Martha Guanaes Nogueira é a de que a atividade escolar precoce gera adultos em miniaturas, o que não pode ser contestado em muitos exemplos que se observam no cotidiano. Na verdade, o que ocorre é que a disciplina é confundida com a responsabilidade exagerada atribuída a pessoas tão pequenas ainda. E não se contesta outra afirmação da pedagoga, a de que a brincadeira é fundamental para que a criança desenvolva o lado cognitivo, emocional, físico e social.
Também é convincente o argumento sobre o caráter da tarefa de casa, de ser uma prática da escola convencional e se basear em exercícios de repetição e não auxiliar em nada o processo de aprendizagem. Ou seja, segundo a professora, levar a tarefa pronta para a escola não significa que o aluno aprendeu em casa.
Ainda assim, por mais que os argumentos sejam aceitáveis, a proposta é muito polêmica para um sistema de ensino tradicional praticado pela maioria das escolas brasileiras. Que há a necessidade de mudanças não resta dúvida. Mas como processá-la é a questão.
Nos últimos anos, muitas propostas inovadoras, principalmente vinculadas à metodologia de ensino, foram experimentadas. Destas, algumas se consolidaram e outras faliram por falta de continuidade.
Então o que parece é que a educação necessita de um fórum urgente, para que vários pontos sejam discutidos. Mas é essencial que, antes, uma questão fundamental seja analisada: o professor brasileiro sofre com a falta de valorização profissional. E argumentar que salário nada tem a ver com desempenho profissional é bobagem. Contas atrasadas, falta de reciclagem e de dinheiro para um livro causam influências negativas não só no conjunto de informações que um professor deve ter, mas também na sua disposição de aprender cada vez mais para melhor ensinar.

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