Muito mais do que Saddam

O mundo não respira aliviado com a prisão no sábado do ex-presidente do Iraque, Saddam Hussein, comemorada aos gritos inclusive por jornalistas daquele país. Como já analisado neste espaço na edição de ontem, Saddam detinha nos últimos tempos pouca ou nenhuma influência sobre os grupos extremistas que estão promovendo mortes através de atentados contínuos.
Ontem mesmo, um atentado suicida com o uso de um carro-bomba resultou na morte de pelo menos oito pessoas e no ferimento de outras 13. A explosão ocorreu em frente a uma delegacia de polícia na zona norte de Bagdá. Também neste final de semana, uma outra explosão de carro-bomba a oeste de Bagdá, no bairro de Al Amiiya, resultou no ferimento de quatro policiais.
Infelizmente, a guerra não chegou ao fim no Iraque com a captura e a prisão de Saddam Hussein, pois tal procedimento, capitaneado pelos Estados Unidos, cumpre apenas o objetivo político de julgar um mandatário que dominou por anos um povo e dele extraiu riquezas. Portanto, condenar o ex-presidente iraquiano a devolver, inclusive, o dinheiro que subtraiu de seu país e consequentemente de sua população, é atitude urgente, tanto quanto mantê-lo na prisão pelos crimes políticos que cometeu durante tão longo mandato.
Mas a paz não se garante somente com isto. Os extremistas, na verdade, explodiriam carros-bomba com ou sem Saddam Hussein no poder. O que estes grupos ideológicos querem, na verdade, é a sua fatia de domínio político do país, agora muito mais difícil com a intervenção dos Estados Unidos. E, infelizmente, quanto mais difícil, mais estes extremistas exageram nas doses de suas ações e mais mortes provocam.
Assim, não somente Saddam Hussein, como também muitos outros devem ser combatidos para que a paz seja buscada de uma maneira racional. Enquanto esta tarefa não for complementada, e tomara que agora seja realmente por uma força internacional isenta de interesses restritos, bombas continuarão a explodir e a eliminar vidas de inocentes.

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