Guerrinha de poder

Não se sabe se a prisão do ex-presidente do Iraque, Saddam Hussein, lava a alma do povo norte-americano ou apenas a do seu presidente, George W. Bush. Mas o que é certo é que Saddam nas mãos da Justiça representa possibilidades de mudanças no conturbado cenário político do Oriente Médio, embora seja difícil prognosticar se elas serão positivas ou negativas.
A realidade é que a guerra de bastidores, a mesma que transformou a população iraquiana em alvo das bombas dos Estados Unidos, transformou o ex-presidente do Iraque num mito. Acusado de exercer a ditadura por anos seguidos e de enriquecer com os benefícios proporcionados pelo poder, Saddam Hussein foi, de fato, um carrasco para o seu povo. E como qualquer meliante, uma vez que é cabido um termo policial, deve ser julgado e condenado, inclusive a devolver as riquezas que subtraiu do país.
No âmbito da política internacional, Saddam Hussein só tinha o petróleo para manipular o mundo. De acordo com alguns analistas internacionais, nem sobre os principais grupos radicais do país ele tinha predomínio, pois as causas dos extremistas eram outras, enquanto as do ex-presidente, nos últimos anos, eram apenas as de tentar manter o domínio sobre a população, os radicais e a comunidade internacional.
Uma política de interesses, no entanto, tornou-o mais poderoso do que poderia um líder fragilizado e desgastado deter. Saddam Hussein, de acordo com a propaganda norte-americana, foi o grande responsável pelos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. Muito, para quem, nos últimos anos, após arrasar uma nação com a ditadura e a subtração de riquezas, só governava para manter e consolidar riquezas. O poder do ex-presidente já se esvaia quando as torres gêmeas balançaram e cairam.
Portanto, o que se espera no Iraque não é a simples acomodação de uma situação ainda conflituosa e de atentados seguidos. Diz-se que a única participação de Saddam nesses acontecimentos, antes e depois do 11 de setembro de 2001, era de financiar famílias de suicídas em países do Oriente Médio. Mas sobre os grupos que assumiram as autorias dos atentados ele não tinha ao menos influência.
A guerra, portanto, somente começou. E ela não está somente no Iraque. Agora é a vez da comunidade internacional acreditar que, preso Saddam Hussein, os Estados Unidos permitam planejamentos e ações racionais para buscar a paz. A guerrinha de poder, somente ela, pode ter chegado ao fim.

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