OPINIÃO DA FOLHA
Boa perspectiva para a saúde
''O Brasil gasta pouco em saúde e o mais grave é que não gastamos bem.'' A afirmação feita pelo ministro Humberto Costa não deixa de ser positiva, na medida em que o governo federal, através de seu representante na pasta, se admite precariedade na certa também estará assumindo perante a população brasileira a necessidade de mudança urgente. ''Temos ainda muito problema de gestão. Vamos ampliar o controle sobre os recursos para garantir que cada centavo despendido pelo poder público chegue à população'', disse o ministro.
São dois problemas sérios estes assumidos por Humberto Costa. Em relação aos recursos da União para a saúde, a expectativa é de que para 2004 o Orçamento a ser votado durante a semana assegure realmente os R$ 35 bilhões propostos pelo governo federal. Já em relação à gestão, neste caso a questão é mais complicada.
Tem-se conhecimento de boas políticas de saúde em desenvolvimento em alguns municípios brasileiros, mas os exemplos ainda são poucos, diante das informações sobre situações precárias na maioria das localidades. É verdade, os recursos são poucos, mas a boa gestão se comprova, infelizmente, no tempo em que o dinheiro falta mas os trabalhos aparecem.
Em saúde pública tudo o que se faz visando a melhoria do atendimento da população é importante. Se a estrutura montada por determinado município ou Estado reflete na necessidade de mais profissionais contratados, evidente que a quantidade de pessoas envolvidas no sistema jamais será questionada. Pior seria dispor de uma rede fisicamente suficiente, mas que não funciona por falta de pessoal, por carência de especialistas ou por não dispor de materiais básicos. Isso não é uma fantasia, de vez em quando há notícias sobre este tipo de ocorrência.
Londrina, por exemplo, ganha destaque nacional por seu programa de levar os profissionais da área médica, através do poder público, até à casa do doente. Um trabalho dessa natureza, para ter resultado, depende de equipes de médicos e enfermeiros, veículos para o deslocamento das equipes, combustíveis, despesas com manutenção e muito mais. Assim, mesmo dispondo de uma rede fixa de atendimento aceitável, esse trabalho, de porta em porta, é um projeto que já não pode mais ser eliminado. Deve, pelo contrário, ser incentivado para que adquire uma ampliação que, com certeza, terá reflexos na saúde da população londrinense.
A saúde, assim como a educação, é uma prioridade nacional. Acerta o governo ao admitir, através de seu ministro, que há precariedade não somente por falta de recursos mas também por má gestão. Espera-se, portanto, deste mesmo ministro, que ele consiga gestionar de forma a dar à saúde o merecido valor por parte dos parlamentares que aprovam o Orçamento da União, e, principalmente, que ele consiga aprimorar o sistema de fiscalização das aplicações dos recursos pelos estados e municípios.





