Mais um Estado, mais custos

Distritos com poucas fontes de recursos e precárias estruturas um dia querem ser transformados em municípios. O Sul do Brasil já cogitou, na versão de alguns políticos, uma separação do Norte. No Paraná também já se falou, embora em tom tímido e entendido como provocação, de uma ruptura entre um lado e outro. O Rio Grande do Sul até armou revolução para ficar sozinho.
A febre da emancipação dos distritos acabou, pelo menos temporariamente, no Paraná. Alguns exemplos de casos malsucedidos deixaram lições preocupantes para os autores dos projetos que elevaram à condição de municípios localidades que, após a separação, tiveram suas condições pioradas. Mas a febre pode voltar, como a gripe que tende a retornar no inverno e também aproveita os descuidos do verão para debilitar as pessoas. No caso em questão as emancipações , é típico de períodos pré-eleitorais. Tomara que não volte agora.
Doce ilusão. O Mato Grosso e o Mato Grosso do Sul, cada um com seus argumentos, provavelmente tinham motivos fortes para pedir no passado a separação que hoje flui sem incidentes. A extensão territorial, com certeza, tornava a causa consistente, pois em função do tamanho e da distância que separa uma localidade da outra, até as questões políticas sofriam prejuízos. Por aqui não se sabe se há por lá algum trabalho científico que avalie os resultados da divisão em dois estados. Mas, passados anos, provavelmente o estudo apontará que houve benefícios maiores que prejuízos.
Agora, o Maranhão quer virar dois estados. Na última semana de novembro, representantes da Frente Parlamentar de Trabalho para a Criação de Novos Estados estiveram reunidos com o presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, do PT, e o presidente do Senado, José Sarney, do PMDB. A Frente quer a criação do Estado do Maranhão do Sul.
O projeto é de autoria do deputado do PSDB Sebastião Madeira. A justificativa: ''Nós somos vizinhos do Estado de Tocantins e vimos o sucesso que foi a criação deste Estado''. A intenção dele é levar para a nova unidade da federação, que terá 146.539 quilômetros quadrados, 49 municípios do atual Maranhão, com uma população de 1.126.050 habitantes, que representam cerca de 20% do total da população maranhense, segundo o Censo de 2002.
A divisão e a instalação do novo Estado custariam para o governo federal R$ 500 milhões. Não é tão simples quanto incluir na bandeira mais uma estrela.

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