Apenas um começo
A Colômbia põe em prática um plano para conter as ações da guerrilha e, num primeiro momento, obtém êxito com grupos que, embora tradicionalistas e firmes em suas intenções, ainda são menos radicais que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A desmobilização da guerrilha, via desarmamento de seus integrantes, foi iniciada no dia 25 de outubro e terá sequência agora em dezembro, no dia 7. A operação, na verdade, é resultado de um acordo assinado em julho entre as Autodefesas Unidas da Colômbia e o governo do presidente Alvaro Uribe. E o que se pretende com isso é a retirada de cerca de 20 mil homens da guerrilha até dezembro do ano de 2005.
O teste inicial foi com o grupo denominado Bloco Cacique Nutibara, que usa a sigla BCN. Exatos 855 combatentes do grupo foram desmobilizados na localidade de La Ceja, distante 450 quilômetros de Bogotá, com o compromisso do governo colombiano de reintegrá-los à sociedade. A etapa de dezembro, pouco mais de seis vezes menor, prevê a desmobilização e o consequente desarmamento de apenas 150 paramilitares que agem nas montanhas do sul do país.
Espera-se que o dia das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia chegue sem muita demora. As Farc constituem o grupo paramilitar mais forte e, portanto, com mais ação no país, com um histórico de sangue e sofrimento inclusive de pessoas que nada têm a ver com o conflito ali instalado. Sequestros e mortes compõem um saldo que exige postura imediata do governo colombiano, até porque envolvem, inclusive, profissionais de outros países com atividades na Colômbia. Isso sem detalhar as interferências do narcotráfico.
A polêmica, porém, já domina o país, nem bem o plano de desmobilização apresenta os primeiros resultados. Congressistas, dirigentes políticos e defensores dos direitos humanos manifestam dúvidas e uma das justificativas seria a situação jurídica dos desmobilizados, que não foi definida. Terão que pagar pelos seus crimes? Outro questionamento é sobre o que farão os paramilitares após inseridos na vida civil. Terão empregos? Ou irão para a marginalidade?
A questão é complexa. Envolve acertos que podem privilegiar alguns poucos, inclusive entre eles os acusados de crimes hediondos. Ainda assim, é um começo, o que indica que muito mais que isso e anos de espera serão necessários para devolver a paz ao povo colombiano.

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