Meio ambiente é prioridade

O Brasil debate até domingo a criação do Sistema Nacional do Meio Ambiente, durante conferência nacional iniciada ontem, em Brasília. A intenção é de descentralizar as ações do meio ambiente, como já ocorre com outras áreas como a educação, a saúde e a cultura, seguindo na verdade o que estabelece a Constituição do País. O mais importante deste evento é que, além de traçar as diretrizes do Sistema, estão em discussão assuntos tão importantes como o meio ambiente urbano, as mudanças climáticas provocadas por disfunções ambientais e os recursos hídricos.
Dentre estes, é necessário neste momento a análise séria dos recursos hídricos. A ameaça de racionamento de água ronda praticamente todo o Brasil, de um lado a outro, embora a chuva tenha, em quantidade moderada, servido para a agricultura. Mas a questão é o abastecimento, que no Paraná já causa preocupações em populações do Sul e do Norte do Estado.
Depender unicamente das variações do clima para ter ou não ter água é ato imaturo quando se sabe que os riscos de racionamento existem. E se o problema não é novo, mas praticamente rotineiro a cada virada de ano, então a população se vê obrigada a imaginar que não há planos, a não ser emergenciais, para a solução de um problema tão complexo.
Da mesma forma a energia elétrica, também extraída do ambiente, ameaça vários estados brasileiros, já com o registro de apagões em algumas das localidades. Trata-se também de uma questão que se repete há anos, mas cuja solução não vinga. De prático, o que existe é que a população consumidora de energia elétrica paga o seguro apagão, cuja arrecadação é destinada à compra de energia externa caso a produção nacional fique baixa. E esta é, sem dúvida, apenas uma solução emergencial.
Construir mais hidrelétricas, apostar na pesquisa de energias alternativas, criar programas de estímulo para as que já existem e podem, ainda que em nível restrito, ajudar na economia da energia são opções que estão em discussão há anos. Anos atrás, algumas construções habitacionais ostentavam em seus telhados estruturas para a captação de energia solar. Hoje não se estimula mais isso.
Quanto à Conferência do Meio Ambiente, o que se espera é que ações descentralizadas possam transformar a questão ambiental em prioridade. Uma frase da ministra Marina Silva ilustra a situação de hoje, que deve ser revertida: ''É fácil o madeireiro do Pará condenar o plantio de soja transgênica do Sul e agricultores do Sul criticarem o desmatamento do Pará. O difícil é cada um observar o que pode fazer em benefício do seu próprio ambiente''.

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