Ainda há vida

Embates políticos e judiciais fermentam, infelizmente, certa insegurança da população quanto aos rumos que as questões discutidas e questionadas tomarão. O histórico do pedágio no Paraná, desde a sua implantação no governo anterior até os dias de hoje, é exemplo disso.
Não é, entretanto, só por insegurança que o paranaense deve se manifestar sobre o assunto. Expresso na Declaração Universal dos Direitos do Homem e na Constituição brasileira, a manifestação é mais do que livre quando a causa que se defende é justa. Parâmetros existem, logicamente, mas dentro dos preceitos da própria Declaração e da Constituição, até para que alguns participantes não cometam exageros e transformem um direito em baderna, o que fatalmente será usado pela parte contrária para tirar a importância do acontecimento.
Meses atrás, as praças de pedágio do Paraná foram transformadas em campos de guerra. Discursos inflados de autoridades contribuíram para o desfecho que se deu, a partir do momento em que integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST, ocuparam as referidas praças. Em algumas delas, o que se viu foram manifestações. Em outras, quebradeiras e provocações. Aliás, a própria presença do MST, no momento, foi analisada com estranheza. O que estaria fazendo numa praça de pedágio trabalhadores que lutam por terra?
Na esfera política, foi o dito pelo não dito. E sabe-se a causa: não se resolve de uma hora para outra uma questão de tamanha complexidade, respaldada em contratos legal e judicialmente amarrados. Instaura-se uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembléia Legislativa e esta necessita de tempo para tramitar o que se investiga. Da mesma forma, a Justiça trabalha com procedimentos, às vezes muito mais demorados que o previsto.
Mas eis uma situação de emergência: o reajuste das tarifas no dia 1º, conforme estabelece o contrato do governo com as empresas concessionárias, está para estourar. No início da semana o governo ameaçou jogar duro, inclusive com a intervenção das praças de pedágio e a convocação de força policial caso o aumento fosse consolidado. Já na quarta-feira, à luz das possibilidades legais, o tom das informações do Departamento de Estradas e Rodagem (DER), órgão vinculado à Secretaria de Estado dos Transportes, adquire moderação.
Resta, portanto, a atuação das partes interessadas. Na falta daquela comissão criada em período pré-eleitoral para participar dos debates, o reforço que o usuário das rodovias pedagiadas ganha é da Associação dos Comerciantes das Margens das Rodovias Pedagiadas e Não-Pedagiadas do Estado do Paraná, que já está antecipando protestos ordeiros nas praças de pedágio. Ainda há vida.

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