OPINIÃO DA FOLHA
Encerradas as auditorias nas seis empresas concessionárias de rodovias federais do Paraná responsáveis por trechos incluídos no circuito batizado de Anel de Integração pelo governo anterior , inúmeras são as irregularidades apontadas pelos técnicos e anunciadas pelo governador Roberto Requião. Realizadas pela Secretaria de Estado dos Transportes, através de uma de suas vinculadas, o Departamento de Estradas e Rodagem (DER), o levantamento contábil teria registrado problemas que podem ser considerados primários, e até por isso muito mais grave ainda, como a inexistência de notas fiscais, o lançamento de notas emitidas por empresas estrangeiras e a apresentação de fotocópias de recibo fiscal. Alguns empresas apresentariam até 200 irregularidades em seus lançamentos, conforme as auditorias.
Julgamentos à parte ainda, pois as concessionárias têm prazo para a apresentação de suas defesas. E também porque a questão deve ser analisada da raiz, de onde surgiu o projeto de privatização das rodovias federais. O ponto de partida, portanto, é Brasília, responsável direta pela conservação das estradas que ligam o País. Omisso, o governo federal vislumbrou na concessão das rodovias e na instituição do pedágio um jeito de resolver o problema que é dele, mas sem mexer no bolso, recheado com dinheiro do contribuinte inclusive para manter as estradas trafegáveis. Ou seja, jogou nas costas da população uma responsabilidade que acabou se tornando um fardo. É mais ou menos assim: se o povo quer estrada boa, que pague um extra por isso.
Quando não paga, a história é outra. Basta percorrer a Transbrasiliana, do Paraná ao destino final, Brasília, passando por São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Em alguns trechos, crateras dominam a pista. Ou seria uma forma do governo federal avisar: só chega a Brasília quem puder viajar de avião. E de Londrina até a sede do governo são cerca de 1.200 quilômetros. Seria uma distância longa mas possível, desde que a estrada estivesse boa. Mas como não tem pedágio, o governo federal acha que não precisa nem fazer manutenção e muito menos dar qualquer satisfação a quem trafega pela estrada. Sabe-se que alguns trechos receberam remendos, feitos por soldados do Exército. Tomara que a tecnologia precária dure mais que outras, de alto custo.
No Paraná, também o projeto de privatização das rodovias caiu de pára-quedas sobre os jardins das possibilidades múltiplas. É o que parece. Pois abriu, se comprovadas as irregularidades, brechas que se não estão no asfalto se instalaram em pontos mais frágeis. A população paga caro, portanto, por pistas trafegáveis e por outras coisas mais.





