O sonho custa caro
Uma burocracia emperra o funcionamento de parte do País. Agora, as agências da Caixa Econômica Federal suspendem os processos de novos pedidos de financiamento habitacional com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, o FGTS, e a explicação que se tem é da falta de uma instrução normativa. Este procedimento, de responsabilidade do Ministério das Cidades, elevaria os valores de crédito e das faixas de renda dos interessados no financiamento.
Segundo explicações disponíveis, os valores teriam sido alterados no final de outubro pelo conselho curador do FGTS, mas para que possam ser aplicados é necessária a instrução normativa do Ministério, devidamente publicada no Diário Oficial da União. Ao que se percebe, trata-se de um procedimento corriqueiro, que pode estar emperrado em algum gabinete por puro vício da burocracia de tocar as coisas num ritmo que o mercado não comporta. Não se admite falha por esquecimento ou falta de informação, pois se isto acontecer a situação adquire conotação mais forte.
Ao mesmo tempo em que se anuncia a suspensão temporária dos financiamentos com recursos do fundo de garantia, o mercado imobiliário acena com boas perspectivas de negócios a partir deste final de ano, o que faz a falta de instrução normativa se tornar quase que imperdoável.
Graças a uma parceria entre a Caixa Econômica Federal e empresas do setor, existe a possibilidade de crescimento dos negócios imobiliários financiados com recursos não somente do FGTS, mas também do Fundo de Amparo ao Trabalhador, o FAT, podendo ser contemplada a aquisição de imóveis novos e usados e também a construção.
Mas para que os resultados esperados sejam atingidos, é preciso muito mais que a publicação de uma instrução normativa no Diário Oficial da União. Os processos burocráticos tendem a afastar os interessados. Taxas agregadas ao negócio também assustam. Sabe-se que, atualmente, a simples compra de imóvel com o uso do saldo do FGTS é cercada de expectativas que fazem a pessoa interessada parecer um culpado à espera de perdão.
Valores nem sempre disponíveis também são cobrados por serviços e inclusive produtos, dependendo de um banco a outro o que se pede em troca do processamento de uma opção que a lei garante ao trabalhador.
Se há custos, estes devem ser cobrados, não resta dúvida e não se faz contestação. Mas que as regras sejam claras: se a cobrança está vinculada aos serviços prestados, que seja dito e documentado.
Infelizmente, financiar ou adquirir um imóvel custa muito mais do que se pagar pelo bem. Impostos de transferências, registros e taxas diversas, muitas vezes, inviabilizam qualquer negócio e fazem parecer que existe uma indústria ganhando com o sonho de milhares de famílias.

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