Festival de equívocos
O festival de equívocos promovido pelo governo federal sobre os aposentados e pensionistas de todo o País foi finalmente encerrado na quarta-feira, após desencadear preocupações e sofrimentos em milhares deles. O prazo para a revisão, que seria encerrado esta semana, foi derrubado naquela data após provocar congestionamento no sistema devido às filas que se formaram em praticamente todos os postos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que disponibilizaram o serviço.
A revisão é uma necessidade e não há dúvida sobre a sua urgência. É provável que um razoável número de aposentados e pensionistas com idade mais avançada tenha chegado ao óbito, mas seus benefícios sejam ainda pagos pela Previdência. O sistema de cartão eletrônico possibilita isso, já que familiares podem, por comodidade, falta de informação ou aproveitando-se da falha do sistema resgatar o valor desde que tenham acesso à senha. Esse furo só será descoberto quando for feita a revisão.
Mas para que essa necessidade possa ser cumprida de uma maneira racional, a melhor receita é o planejamento, recurso não tão difícil quando se dispõe da informática. Não adianta impor a um sistema que reclama da falta de mão-de-obra, como é o caso do INSS, um prazo para regularizar a situação de milhares de pessoas. Sem racionalidade, como foi feito, o sofrimento é de todos: dos funcionários do sistema, que já trabalham no limite do que dispõem para o exercício de suas funções, e sobretudo dos beneficiários que passaram os últimos dias nas torturantes e demoradas filas.
Tudo o que ocorreu poderia ser evitado, inclusive o vexame daqueles que determinaram tal medida desconhecendo a complexidade do problema, e em seguida viram-se obrigados a um recuo.
A informática, ao contrário do que se supunha em décadas passadas, veio para instrumentalizar o homem, e não para tomar o seu lugar na linha de produção. Bons programas manuseados por bons operadores ajudam.
Se não é possível estabelecer um prazo para revisar as aposentadorias de uma vez, que se faça por etapas. As alternativas são incontáveis. Pode-se trabalhar por mês de nascimento, ano de nascimento, cor do cabelo, número do sapato que calça etc. Exceto as ironias das últimas palavras, tudo é possível. E pelo menos agora o sistema sabe que nada se faz de última hora e num espaço curto de tempo na busca de solução para um problema que é complexo e grande.

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