OPINIÃO DA FOLHA
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 20 de novembro de 2003
Esperar, apenas esperar 
O risco de elevação da tarifa do pedágio no Paraná é parte de um processo que só o usuário não compreende. Desde que a privatização das rodovias federais foi concretizada no Estado, a polêmica em torno do assunto, ao contrário de ser desfeita, aumenta e ganha cada vez mais enfoques diferentes. Certo que, nos primeiros tempos, motoristas e passageiros, apesar de obrigados a desembolsar quantias expressivas em suas viagens, ganharam estradas trafegáveis.
Não se pode omitir que sinalização e pistas duplas em alguns trechos, principalmente nas proximidades das praças de cobrança da tarifa, ficaram parecidas com estruturas de primeiro mundo. É que, após acostumado a trafegar em ziguezague para escapar dos buracos, sem enxergar onde termina a pista e começa o acostamento e caindo a cada manobra no meio do mato, o usuário experimentou uma nova sensação de dirigir.
Porém, aquilo não era tudo. Para se ter a impressão de que a mudança não ocorria apenas nas condições físicas das rodovias, criou-se até uma comissão com a participação de usuários. O seu papel seria o de fiscalização em todos os sentidos, inclusive quanto ao custo do sistema. Mas a comissão não durou mais do que uma eleição. Se ela ainda existe, não se manifesta diante da possibilidade de reajuste de tarifa, que conforme estima o governo do Estado pode chegar a 15%, se atendido o pedido das empresas concessionárias.
Passou também pelo caminho uma campanha eleitoral e a promessa que se ouviu foi de acabar com supostas ilegalidades ocorridas na concessão das rodovias para a iniciativa privada. O tom do discurso foi animador. E, a princípio, os sintomas de que respostas firmes viriam em benefício dos usuários eram fortes. Até uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi aberta.
Evidente, não se trata de um assunto tão sério em curto espaço de tempo, embora houvesse como resolver o problema com uma canetada de alguns curtos minutos. No início do ano, por algumas horas entre o final da manhã de um dia e o meio da noite, ficou anunciado que o governo havia feito uma intervenção.
Desfeita a medida, restam a alternativa jurídica e os meios disponíveis pelo Legislativo estadual para apontar uma solução para o pedágio. Por mais um dezembro as concessionárias acenam com a elevação das tarifas, o que lhes é garantido contratualmente.
Ao usuário, não resta outra alternativa senão a de esperar. Por aumentos que virão e incidirão sobre tudo o que passa e tudo o que não passa pelas rodovias pedagiadas. É assim que tem acontecido.


