OPINIÃO DA FOLHA
Balanço preocupante
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passa a ser exposto sob um enfoque negativo neste final de ano, quando os mais variados balanços sobre o primeiro ano de seu governo começam a ser feitos. Já na quinta-feira, o bombardeio causou efeitos de Norte a Sul e de Leste a Oeste do País, quando o conceituado articulista econômico Joelmir Beting, com colunas quase que diárias na maioria dos grandes jornais brasileiros, inclusive neste jornal, comentou sobre as viagens de Lula da Silva.
''Visitar 38 países em 22 viagens em apenas 12 meses de governo remete o presidente Lula para a próxima edição do The Guiness Book of the Records. Contando-se os tempos de viagem lá fora com os tempos de viagem aqui dentro, tem-se que o presidente alado vai fechar o ano com 154 dias passados em Brasília e 211 fora dela'', expõe o articulista. Poucos dias depois, o assunto foi retomado por uma grande revista de circulação nacional, a Veja, que também fez o balanço dos dias do presidente na capital da República e fora dela.
Números podem ser ferramentas frias, quando pecam pela ausência de análises que a sustentem. No caso de Joelmir Beting e da revista Veja, eles estão respaldados em argumentos. ''De pleno acordo. As viagens são relevantes. O problema é a relevância infinitamente maior da agenda pendente no gabinete do presidente. Uma pauta digna do trabalho de 12 Hércules para esta emergência nacional sob um governo salvacionista tripulado por um presidente messiânico'', afirma o articulista.
E segue como uma relação de 12 assuntos que seriam destaques na agenda do presidente, desde que ele permaneça em Brasília. Tais como a revisão final do Orçamento-Geral da União para 2004, o reajuste anual do Plano Plurianual de Investimentos para 2004/2007, regulamentação do programa Parcerias Público-Privadas, acordo do Fundo Monetário Internacional, regulação das agências reguladoras e modelagem do setor elétrico, ajustes na futura lei de biossegurança, retoques na reforma tributária, aparas na reforma da Previdência, retomada da reforma trabalhista, chamada da reforma do Judiciário, definição da reforma agrária e projeto de política industrial. Observe o leitor que a ordem dos temas e a forma como eles são colocados respeitam integralmente o que foi escrito pelo articulista.
Assim, a ferida é exposta de uma maneira cruel, mas incontestável. O articulista tem um exemplo preocupante. Veja o leitor: ''Na semana passada (refere-se à semana quando Lula esteve na África), enquanto o presidente dizia desconhecer o formato e o conteúdo de um eventual acordo com o FMI, o núcleo do governo anunciava as bases do próprio. O governo, em Brasília. O presidente, na África''.
Algo, enfim, tem de ser feito. E não depende do povo. É função do próprio governo.





