OPINIÃO DA FOLHA
Efeitos demorados
Os números que são apresentados nas últimas semanas são animadores para o setor produtivo brasileiro e promissores para a economia nacional. Os mais recentes, divulgados na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são os dos resultados obtidos pela indústria em setembro, com média nacional de 4,2% de crescimento.
O mais importante disso tudo: a produção industrial cresceu em 11 das 12 regiões analisadas. No mês anterior, agosto, o desempenho positivo havia sido registrado somente em cinco das 12 regiões.
Há portanto, uma flagrante reação do mercado à crise que durou meses após a posse do atual governo, quando sofreu o impacto da mudança de autoridades no Palácio do Planalto.
Nada mais do que isso, pois não houve medidas geradoras de reações importantes por parte de quem assumiu o poder. Na verdade, a mudança em si catalisou recuos, diante de dúvidas sobre o que poderia vir. Não veio nada e demorou muito para o setor produtivo perceber que hoje esse nada ainda é o eixo que move o mercado. Infelizmente, quanto menos o governo interfere, melhor para a economia, já que quando ele age costuma ser nocivo demais.
Não se despreze, entretanto, os efeitos de pequeno impacto produzidos por algumas das poucas medidas caneteadas pela figura do presidente da República e de seus ministros. Financiamento para alguns eletrodomésticos para estimular o setor? Quase inócuo. Redução do IPI dos veículos populares para desafogar as garagens das montadoras e das concessionárias? Resultado zero. Linha de crédito com juros baixos para o trabalhador? Jogada arriscada.
Mas, por falta de estatísticas, considera-se que, se não causaram estragos, também não trouxeram vantagens possíveis de serem avaliadas. Um ou outro usufruiu dos recursos, até para fugir dos pesados custos exigidos pelas financeiras.
Mas os números são positivos e animadores. Ultimamente, são divulgados com insistência que gera certa preocupação: o que existe por trás? Uma tentativa de criar um otimismo irreal? Tomara que não. No entanto, desde que levado em consideração o que se vê a partir da porta de casa, há motivo de sobra para desconfiar: o custo de vida sobe e os produtos básicos, indispensáveis para a família brasileira, não deixam de ter os preços remarcados.





