A dança das reformas

A hora e a vez é das reformas trabalhista e sindical, nem bem outra delas, a da Previdência, é colocada no congelador, e tão polêmica quanto as anteriores, a tributarista anda a passos miúdos. Como sempre, a polêmica surge antes da decolagem.
A proposta do presidente da Câmara dos Deputados, o petista João Paulo Cunha, de adiar para 2005 a discussão das reformas trabalhista e sindical causa questionamentos e indagações. Cunha defende o postergamento por causa das eleições municipais de 2004, para a escolha de prefeitos e vereadores.
Mas nem a idéia e muito menos a justificativa convencem o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho. Para ele, a avaliação do presidente da Câmara dos Deputados é ''um erro'', pois a própria Força Sindical, como também a CGT e a CUT teriam, conforme palavras de Paulinho, ''condições de apresentar uma nova proposta de estrutura sindical em um prazo de 15 a 20 dias''.
A exposição acima, no entanto, evidencia ''erros'' de ambos os lados e equívocos em ambas as avaliações. Por que os parlamentares teriam que adiar a discussão de temas importantes por causa das eleições municipais? Estariam alguns deles com a intenção de acompanhar de perto as campanhas eleitorais de seus partidários? Deixariam, portanto, a casa de leis nesse período para marcar presença em suas bases, apoiando seus candidatos a prefeitos e vereadores? Embora esta seja uma prática de certa maneira corriqueira, significa um descompromisso de quem dela se usa para com a população que o elegeu.
Quanto às centrais sindicais, indaga-se: 15 a 20 dias não seria um prazo reduzido para discussão de tema tão importante, a reforma sindical? Mesmo que o assunto já esteja nas pautas das entidades, ainda assim não restaria um outro tema tão ou mais importante, a reforma trabalhista? Com tão pouco tempo, os trabalhadores, principais interessados, ficariam mais uma vez de fora desse processo de discussão?
Então o que se vê é que a pressa de um lado e a intenção de morosidade de outro são prejudiciais para a parte que mais precisa debater a reforma trabalhista. Pode ter razão Paulinho, ao criticar Cunha por querer as reformas discutidas somente em 2005. Mas antecipar para agora é o maior dos equívocos. Não se trata de uma reunião de condomínio para decidir pela troca de marca do detergente usado pela faxineira. Melhor debater as reformas trabalhista e sindical em 2004, pois as eleições municipais nada têm a ver com as atividades dos parlamentares.

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