OPINIÃO DA FOLHA
Ferida a ser curada
A tentação do enriquecimento fácil não escolhe lugar e nem categoria profissional. Há bons juristas, assim como dentre os inúmeros profissionais da área podem existir aqueles que atuam por força do acaso, uma vez que gostariam, na verdade, de estar em outra atividade. O mesmo se diz do médico, do engenheiro, do veterinário, do jornalista, do professor e de tantos outros profissionais.
A ética costuma ser uma disciplina incluída na grade curricular de todos os cursos. O juramento, às vezes, acaba se transformando em uma formalidade, concretizada no que convencionalmente é chamado de colação de grau. Moral não se aprende na escola e caráter, este envolve fatores que só os grandes especialistas podem explicar, inclusive por diferir de uma pessoa para outra.
Mas preocupa o que vem ocorrendo nos últimos meses. A quantidade de juízes acusados de envolvimento em atos fraudulentos e casos de corrupção impressiona. O que estaria ocorrendo?
A política nacional luta para consertar uma condição que é desconfortável. Ou, pelo menos, os políticos de ética e espera-se que a maioria o seja , não se sentem bem com a fama a rondar o meio, muitas vezes atingindo avalassadoramente quem não deve, de que ali tudo é possível, seja o certo, seja o errado. E há quem lute para mostrar que isso não é verdade e só se tornou forte e presente por culpa de alguns. Na maioria das vezes, uma luta silenciosa, porque se processa no trabalho ético e inquestionável desenvolvido nas casas de lei e nas repartições públicas.
Então é meramente especulatório afirmar que a onda de corrupção de um meio foi disseminada para outro. Nada acontece assim, por extensão. Portanto, há de se investigar com urgência e os parlamentares diriam, com urgência urgentíssima o que está ocorrendo.
Um dos mais recentes casos teve desfecho na madrugada de ontem, após a Corte Especial do Tribunal Regional Federal trabalhar quase 20 horas e os 18 desembargadores que a compõem tomarem uma decisão: aposentar compulsoriamente o desembargador federal Eustáquio da Silveira e sua mulher, a juíza federal Vera Carla da Cruz Silveira, que sofriam a acusação de intermediar a venda de sentenças em favor da quadrilha do traficante Leonardo Dias Mendonça.
Exige-se um repensar, a partir da mobilização da própria categoria, pois apesar de fatores individuais terem peso na conduta deste ou daquele, estes, infelizmente, são de um meio onde, se espera, não haveria o que ser questionado.





