OPINIÃO DA FOLHA
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) dá seqüência hoje a mais uma ofensiva de pressão ao governo federal para aprovar o Plano Nacional de Reforma Agrária, este mesmo que gera queixas dos ruralistas devido a pouca ou nenhuma possibilidade dos proprietários de terras participarem do seu processo de elaboração. Exatamente nesta segunda-feira, cerca de mil deles seguem em marcha de Goiânia (Goiás) a Brasília, em movimento organizado por um parlamentar petista, o deputado federal Plínio de Arruda Sampaio, que é consultor do governo nas questões agrárias.
O ponto positivo deste tipo de mobilização, ao menos por enquanto, é que pelas intenções ela tende a ser pacífica, ser exageros e quebradeiras iguais a que ocorreram na votação da reforma da Previdência, quando segmentos do funcionalismo público federal esqueceram a civilidade e mostraram, com vidros estilhaçados, que interesses próprios estão acima de qualquer sentimento de brasilidade. Ou seja, como são eles, junto com milhares de brasileiros que sustentam o patrimônio público, decidiram quebrar, estilhaçar, destruir e expor em nome de todos, infelizmente, que reivindicação e luta por direitos são sinônimos de vandalismo. Triste lembrança.
Mas não há quem garante que no meio dos mil integrantes do MST que seguem a Brasília estejam aqueles dew temperamento mais impulsivo. A cobrança por uma resposta para a questão da terra é uma necessidade, caso contrário o governo federal faz como tem feito até agora, desde que tomou posse: apenas discursa, borrifando com ataques sem efeitos tanto um quanto o outro lado envolvidos diretamente no conflito agrário.
O que dá também direito aos ruralistas de se mobilizarem. Por que não? A comissão do governo federal criada para elaborar o Plano Nacional de Reforma Agrária simplesmente trata com desdém esta parte. O Brasil, apesar de incortonáveis diferenças no aspecto geográfico, o que cria fatalmente distinções sociais e culturais predominantes e visíveis, tem entre os seus inúmeros problemas a serem solucionados a questão agrária. Que é, aliás, um único problema em todo o Brasil. Fatiar a questão é jogada arriscada, uma provocação inútil.
Há um Plano Nacional de Reforma Agrária em elaboração. Pensar que o parlamentar responsável pela marcha que se inicia hoje pressiona, com o uso do MST, a aprovação da proposta da maneira como está, descontentando a classe rural, é inadimissível. É preciso brecar atitudes que soam como desaforadas. Ainda há tempo para ouvir todas as partes e buscar solução como gente grande. Jogo de bastidor é para novelas das oito.





