Educação em ponto de colapso

Para onde vão os escolares paranaenses, diante de um resultado cruel, mas verdadeiro, proveniente de uma avaliação? Pois uma pesquisa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, divulgada esta semana, denuncia que 94,11% dos alunos matriculados na 3 série do ensino médio no Paraná não têm conhecimento adequado de matemática. A língua portuguesa também é levada no desleixo, ao que se percebe, pois o mesmo levantamento indica que 44,53% dos escolares estão abaixo do esperado em desempenho nesta importante área.
Com estes resultados, extraídos das provas aplicadas a 124,8 mil alunos paranaenses pelo Sistema Nacional de Avaliação Básica, o Paraná aparece como o pior Estado do Sul do Brasil em desempenho escolar. Um ranking, no mínimo, constrangedor. Por outro lado, importante, desde que levado a sério, pois pode balizar projetos visando mais do que uma reversão do quadro. O melhor seria que as autoridades responsáveis pensassem, a partir de agora, em algo para ser transformado em modelo.
Claro, as respostas para tal situação são as mesmas de sempre, conforme enumera a direção de avaliação de educação básica do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais. Mas as principais causas, embora constantemente enfatizadas, merecem ser continuamente debatidas.
A primeira delas envolve incontáveis fatores externos ao âmbito da educação, mas que são fundamentais para a busca da melhoria da qualidade de ensino. São as condições sócioeconômicas da população, que levam para as escolas alunos em extrema situação de carência, face ao desemprego do pai ou da mãe, quando não ambos; da luz que foi cortada por falta de pagamento; da água que não pinga das torneiras também devido a cortes; da comida que é pouca na mesa e, enfim, do dinheiro que, quando existe, é pouco para o material escolar, o par de calçados, a roupa. Tudo isso para mencionar que carências estimulam problemas emocionais capazes de influir negativamente na vida das pessoas.
A outra causa frequente, quando somada aos fatores sócioeconômicos, tende a dar no resultado colhido pela pesquisa. É a falta de oportunidade de reciclagem profissional do educador, este que também se escora numa situação de sobrevida para sustentar a si e a sua família. Reciclagens, quando não são disponibilizadas gratuitamente, têm custos elevados para um orçamento pequeno. E, normalmente, as contas familiares não estão em condições de priorizar itens que contribuam para o desenvolvimento pessoal e profissional.
Até a compra de livros é descartada, mesmo que alguma publicação seja extremamente importante para o aprimoramente profissional. Livros, no Brasil, são produtos caros.
Então o País exige medidas urgentes. Não há como esconder a verdade. Avaliações são feitas para alertar os técnicos responsáveis pelos projetos avaliados. E, sobretudo, para lembrar o próprio Estado que o papel de mudança cabe a ele.

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