Titulares e reservas

Uma viagem de caráter puramente assistencialista levou a São Tomé e Príncipe o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, oito ministros e dois secretários especiais, o de Igualdade Racial e o da Aquicultura e Pesca. Este seria o time de primeiro escalão, a linha de frente da comitiva presidencial em mais um pulo ao exterior, o que torna o atual governo recordista no cumprimento de agenda fora de casa, Brasília, batendo inclusive o anterior, comandado por Fernando Henrique Cardoso. Imagine o leitor a quantidade de pessoal relacionado no apoio à comitiva, entre seguranças e inclusive jornalistas. Viajou, provavelmente, um time de futebol com reservas até para os reservas.
Compromissos fora de casa podem ser promissores. A busca de parcerias importantes para o país, por exemplo, como a assinatura de acordos pontuais, de estabelecimento da soberania nacional. E mesmo para engrossar a voz diante das potências, que a princípio esperariam por submissão, tal como acontece nas reuniões sobre a Alca, em que o Brasil fala com o sotaque dos grandes e não se cala diante de intimidações. E iriam, nestes casos, aqueles que são fundamentais para o debate dos assuntos em pauta.
Mas São Tomé e Príncipe, conforme admitiu domingo o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem uma pauta assistencial. Claro, muito importante, até porque o Brasil de agora é tocado por pacotes assistenciais, de tímido efeito desenvolvimentista, uma vez que propõe combater as questões emergentes e ensaia em passos trôpegos atitudes que revertam o quadro de miséria e de estagnação, este que ronda do desempregado ao empregador, tirando o sono ainda dos aposentados, dos que procuram o primeiro emprego, e dos que são classificados como ''do lar''. Enfim, ninguém escapa do redemoinho, que leva em sua rabeira milhões de desesperados.
Então São Tomé e Príncipe, justifica o presidente, é um roteiro importante: ''Não é pouca coisa cuidar de assistência social num mundo que necessita de assistência''. Verdade. Aqui mesmo no Brasil, embora a vara de pescar seja o ideal, milhares de pessoas necessitam ainda de um bocadinho de assistência em sua forma mais básica, a do peixe quase pronto para ser digerido. E não só para comprar a cesta básica. Necessita da assistência também do ministro da Cultura, do ministro da Saúde, do ministro da Educação e dos demais que integram a comitiva. Aliás, o próprio governo, em propaganda institucional divulgada através da televisão, admite que há fome de tudo.
Existe um ministro de Relações Exteriores? Existe. São Tomé e Príncipe seria papel deste ministro e a vontade política do resto da equipe, inclusive do presidente da República. Que vale um acordo entre o Brasil e estes povos não há dúvida. Mas não é preciso gastar tanto para uma missão tão nobre, que é a ajuda humanitária. Fica contraditório.

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