OPINIÃO DA FOLHA
Marco histórico
O 3 de novembro é um marco na história política do Brasil, como conferiu na edição de domingo o leitor da Folha de Londrina. Há 73 anos, um grupo de mulheres participou pela primeira vez de um processo eleitoral. Embora em número reduzido, elas iniciaram justo naquela data uma caminhada que resulta hoje em números importantes: são hoje duas governadoras, oito senadoras, 43 delas na Câmara Federal e 133 nas assembléias legislativas estaduais. Incalculável, ainda, a quantidade de mulheres nas prefeituras e nas câmaras municipais, além de muitas outras ocupando cargos importantes em órgãos públicos e instituições oficiais, caso do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e da Universidade Estadual de Londrina (UEL), comandadas por mulheres.
A guerra dos sexos é coisa do passado, pelo menos na vida pública e em estruturas empresariais modernas. O feminismo foi uma bandeira importante e manifestou, junto com outros movimentos sociais de décadas passadas, descontentamentos e ideais. Disso tudo muito foi aproveitado. Claro, ainda há enorme quantidade de mulheres discriminadas no trabalho, na forma da impossibilidade fácil de crescimento profissional ou de remuneração diferenciada. Essa bandeira deve ser mantida erguida, inclusive em países mais avançados, como o Japão. Embora do outro lado do mundo, este país pode ser considerado um exemplo muito próximo, pois milhares de brasileiras trabalham hoje no Japão na condição de dekasseguis, e outras milhares já passaram por lá, onde sofreram de perto as diferenças de tratamento e de valorização de mão-de-obra.
Mas, com certeza, este é um problema que, apesar de grave, é muito menor em relação àquele que tem raízes na cultura machista, muito predominante no Brasil. As delegacias especializadas no atendimento de mulheres abarrotam processos contra maridos espancadores. E admitem que os casos que chegam representam muito menos do que acontece na realidade. Muitas mulheres, inibidas pelo receio de seus casos particulares se tornarem públicos, não denunciam seus espancadores. E se aqueles que usam a violência física podem ficar impunes, devido ao preconceito, imagine o leitor outros que, diariamente, usam de alguma forma de assédio para prevalecer sobre a mulher.
É uma ferida aberta. Há 73 anos algumas mulheres exercitaram a democracia, participando da escolha de alguns representantes políticos. Hoje, todas as brasileiras, a partir dos 16 anos, usufruem daquele ato inaugural importante. Ainda assim, seria injusto dizer que somente a mulher política poderia levantar mais alto a bandeira da violência contra a mulher. Mas, de qualquer forma, cabe à elas escolher, dentre os inúmeros candidatos que surgem a cada eleição, aqueles que mais podem se envolver com a questão.





