Incansável Pastoral da Criança
Considerada a heroína da saúde pública das Américas no ano passado pela Organização Pan Americana da Saúde, a coordenadora nacional da Pastoral da Criança, médica sanitarista Zilda Arns Neumann, não esmorece. Sua perseverança no combate à mortalidade infantil traz ânimo aos que nela se espelham. Exemplo disto pode ser visto ontem em Florestópolis, a 73 km ao norte de Londrina, quando se comemorou 20 anos de existência da Pastoral da Criança.
A maior ONG do mundo em atendimento a crianças de até 6 anos de idade escolheu a pequena cidade com apenas 12.187 habitantes para comemorar sua existência. É em pequenos municípios, como Florestópolis onde o trabalho surgiu , ou metrópoles como São Paulo ou Curitiba, que a Pastoral da Criança conseguiu e consegue combater a mortalidade infantil, com gastos de apenas R$ 1,18 por mês para cada criança atendida.
A experiência exitosa feita com a simples orientação das mães sobre os cuidados com os filhos é mais do que um exemplo. É uma referência a ser seguida. Mostrou que, ao longo destes 20 anos, a disseminação das informações e dos conhecimentos pode produzir milagres. Esta é uma das principais lições do trabalho da Pastoral da Criança. As pessoas, principalmente, as mães, passam a sentir-se capazes e, sobretudo, dignas. Tão verdadeira é a proposta que lhe rendeu a indicação ao Prêmio Nobel da Paz.
Mesmo trabalhando em grande escala, a Pastoral da Criança não dispensa a qualidade no atendimento à criança das famílias mais pobres do Brasil. Não foi à toa que o Unicef e a Organização Mundial de Saúde a consideram referência mundial na estratégia de Atenção Integrada as Doenças Prevalentes na Infância. Mas Zilda Arns acha ainda que é preciso dobrar o número de voluntários da Pastoral da Criança para que o atendimento chegue também aos bolsões de miséria.
Vale ressaltar que, além das ações básicas, a Pastoral da Criança procura fortalecer projetos como o Alfabetização de Jovens e Adultos, Brinquedos e Brincadeiras e a Geração de Renda. Por conta disto, celebração tão importante deve ser registrada e respeitada com a presença do Cardeal Primaz do Brasil, arcebispo de Salvador e presidente da CNBB, Dom Geraldo Majella Agnelo, e do arcebispo de Londrina, Dom Albano Cavallin, além da própria presidente da pastoral, Zilda Arns. Florestópolis comemorou. O Paraná também deve comemorar. O Brasil deve comemorar.

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