Grito de alerta
Após atingir um ponto de debilidade insustentável, o mercado reage por sua própria conta e devolve esperança ao empresariado nacional. Anos e anos de política econômica recessiva levaram o Brasil a uma estagnação que nem a troca de governo, no início deste ano, conseguiu reverter. Não deve ser omitido que algumas medidas benéficas foram tomadas pelo Estado. Às vezes tímidas, outras mais ousadas, queiram ou não a equipe econômica de Luiz Inácio Lula da Silva teve a sua participação, embora muita aquém de suas possibilidades e responsabilidade.
A redução da taxa básica de juros, a Selic, é o exemplo mais paupável. Poderia haver outros, mas este é, além de mais expressivo, o único que aparenta ter proporcionado certa tranquilidade ao mercado. Diferente da proposta da reforma tributária, ainda na fase de tramitação. Se for aprovada da maneira que se apresenta, será, com certeza, um balde de água fria sobre o empresariado nacional, no momento em clima de certa euforia com as perspectivas de reação da economia.
E não só. A reforma tributária proposta pelo governo federal vem como um rolo compressor. Pegará o empresariado e arrastará todo e qualquer contribuinte, mesmo aquele indireto, que imagina estar livre do fisco por ser isento no Imposto de Renda e nas contribuições previdenciárias, mas recolhe, de tabela, toda a carga de tributos em todos os itens de consumo e de serviços. Na passagem do ônibus, no litro de leite, no quilo de arroz, no par de chinelos e no vestuário.
A questão é esta. Repete-se mais uma vez: há quem diga que uma economia pode ser saudável e caminhar sem a interferência do governo; outros, mais radicais, acusam que o governo só atrapalha; e o meio termo defende que o Estado deve ter apenas papel de regulador básico, pois o mercado sabe-se conduzir dentro de algumas regras.
Pois bem. A reforma tributária, por outro lado, nada tem a ver com política econômica. Na verdade, é o pote para manter a estrutura do Estado. É o leão, de boca aberta, esperando o contribuinte, que paga salários, projetos interessantes de certos momentos e desinteressantes e inúteis em outros, viagens de ministros e, enfim, todo o custo da estrutura pública. Dizem que os impostos também pagam melhorias, mas então que elas venham.
Então o momento é de euforia e o mercado parte com suas próprias pernas rumo ao aquecimento. Anos e anos depois. Mas é preciso um grito para brecar a necessidade do Estado de encher o seu pote, estragando tudo o que se faz visando a retomada do desenvolvimento.

mockup